Washington, 2 jul (EFE) - A viagem que o republicano John McCain fez a Colômbia e México foi considerada hoje sem visão por parte da campanha do democrata Barack Obama, que criticou a ambigüidade de sua mensagem em direção aos hispânicos.

Daniel Restrepo, um dos principais assessores em política externa de Obama, afirmou hoje que "é preciso ter cautela com a visita de McCain" aos dois países, já que, destacou, é uma "viagem sem visão, que não vai servir para estabelecer relações sólidas, mas para distrair a atenção dos latinos" nos Estados Unidos.

A campanha de McCain contra-atacou e, em comunicado, rebateu a posição de Obama contra o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia, acusando-o de "não querer que se crie um nível de igualdade comercial entre Colômbia e EUA".

"Cerca de 90% das exportações colombianas aos Estados Unidos podem entrar sem tarifas, enquanto quase todos os produtos americanos têm impostos na Colômbia", indicou a mensagem da campanha de McCain.

Daniel Restrepo, em entrevista coletiva por telefone junto com a vice-presidente do Comitê Nacional Democrata, Linda Chavez-Thompson, afirmou que McCain "quer continuar com as políticas fracassadas de Bush" na região, "em vez de desenvolver políticas internas para as comunidades latinas nos EUA".

Após a etapa colombiana de McCain, que terminou hoje, Restrepo ressaltou que o maior desafio do candidato republicano agora será saber qual mensagem levará ao México.

"O desafio de McCain é o que vai apresentar no México, se usará o discurso que usa com a direita do partido sobre a necessidade de reforçar a fronteira dos EUA e deixar mais de 2 milhões de imigrantes fora, ou se voltará a dizer que apoiará uma política aberta à imigração", afirmou o democrata.

"Não se pensa que os latinos não ouvem o que os demais dizem a eles", afirmou, "mas terá que chegar a um ponto no qual tenha que dizer a mesma mensagem" aos dois.

McCain tem simpatia entre a comunidade latina nos EUA por apoiar, no ano passado, uma reforma migratória integral, e esta viagem pode ajudá-lo a ganhar pontos perante um grupo de 9,2 milhões de eleitores latinos que aparece como decisivo no próximo pleito.

De fato, em discurso perante a Associação Nacional de Funcionários Latinos Eleitos e Nomeados (Naleo) McCain afirmou, no sábado, que a imigração "foi, é e será" sua principal "prioridade".

No entanto, esta mensagem não é suficientemente clara para Restrepo, que ressaltou que, na parte final desse discurso, o candidato republicano voltou a destacar a necessidade de reforçar as fronteiras primeiro.

Por sua parte, Chavez-Thompson lembrou que McCain abandonou a posição de apoiar esta iniciativa migratória e "se pôs a favor da direita".

"Não temos um amigo em John McCain, ele não é amigo do imigrante", disse Chavez-Thompson acrescentou que a posição de McCain sobre o Tratado de Livre-Comércio entre EUA e Colômbia "é a mesma política que mantivemos com Bush".

Hoje, McCain concluiu uma curta visita a Cartagena das Índias, na qual respaldou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e renovou o compromisso americano na luta contra o tráfico de drogas e o terrorismo.

O objetivo da viagem era destacar o apoio do candidato republicano ao livre-comércio e, especificamente, ao Tratado de Livre-Comércio com a Colômbia, que está pendente de aprovação no Congresso americano perante a oposição democrata. EFE elv/db

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