Daniela Brik. Jerusalém, 26 fev (EFE).- Os correspondentes internacionais em Israel são apresentados como ignorantes e estúpidos em vídeos satíricos divulgados por um novo site governamental destinado a melhorar a imagem de Israel no exterior.

Nos vídeos, o Estado judeu é apresentado por atores que fazem papel de correspondentes e interpretam o país como atrasado, de costumes arcaicos e com tendência à guerra.

O site, denominada "Explicando Israel", foi criada pelo Ministério para Diáspora e Assuntos Públicos tem por objetivo oferecer sugestões aos israelenses que viajam ao exterior sobre como corrigir ou responder aos mitos mais comuns e conceitos errôneos sobre seu país.

"Cansados de ver como somos apresentados ao mundo? Vocês podem mudar a situação", diz o narrador após cada um dos vídeos, nos quais os personagens jornalistas adoecem de uma falta de conhecimentos básicos sobre o que estão informando.

O lema da campanha também aparece em anúncios televisivos e os vídeos podem ser encontrados em "www.masbirim.co.il".

Nenhum dos vídeos aborda diretamente o conflito entre israelenses e palestinos, principal assunto da cobertura informativa dos correspondentes em Israel.

Grande parte da população israelense considera que a imprensa estrangeira não cobre com objetividade o conflito, e inclusive alguns tacham esses veículos de comunicação de pró-palestinos.

Em um dos vídeos, um repórter de televisão descreve em inglês com um forte sotaque britânico um camelo como um "típico animal israelense, usado pelos israelenses para viajar de um lugar a outro no deserto onde vivem".

E acrescenta com um tom de documentário de viagens, que o animal "é o meio de transporte de água, mercadorias e munição" dos israelenses.

Em outro aparece uma apresentadora de um telejornal em francês, que abre uma reportagem anunciando "ruídos de guerra" em Israel, quando na tela de trás se pode apreciar que se trata do dia em que o país celebra sua independência com o lançamento de fogos de artifício.

O terceiro mostra um repórter que fala em espanhol com sotaque latino-americano passeando por um parque onde vários israelenses assam carne.

"Em Israel, na maioria das casas não existe eletricidade ou gás.

Por isso, os israelenses continuam utilizando métodos de cozinha primitivos como assar com carvão".

E após experimentar um pedaço de carne assado, diz: "Primitivo...

mas delicioso".

A Associação de Imprensa Estrangeira de Israel (FPA, na sigla em inglês) considera que a campanha "só contribui para criar uma atmosfera hostil".

"Estamos muito preocupados sobre a imagem passada aos jornalistas estrangeiros em Israel. Isso não colabora para melhorar a situação, que já é muito difícil", disse à Agência Efe o presidente da FPA, Conny Mus.

Os correspondentes internacionais em Israel se queixam que as autoridades tentam impedir a obtenção de credenciais de imprensa e vistos de trabalho, que favorecem a contratação de pessoal local e que impedem o livre acesso a regiões essenciais para a cobertura do conflito.

"Os vídeos são ofensivos, ridicularizam nossa inteligência e a de nossos leitores, ouvintes e espectadores no mundo todo", disse Mus.

O ministro de Diáspora e Assuntos Públicos de Israel, Yuli Edelstein, explicou à Efe que os vídeos, que qualifica de "chacota grotesca", fazem parte de uma campanha mais ampla que tem como público-alvo os israelenses.

"Nosso objetivo é fazer as pessoas rirem e ficarem furiosas para que desejem colaborar", disse Mus, antes de considerar o público-alvo "inteligente".

Diante das suscetibilidades despertas afirma que "a grande maioria do público não o levou a sério". Além disso, acrescentou que, "ao se analisar o conteúdo dos vídeos de forma rigorosa, pode-se perceber que os atores não pretendem imitar correspondentes, mas apresentadores de programas televisivos populares".

A iniciativa pretende pedir aos israelenses que contem a realidade do país, onde "o conflito ocupa apenas 10%".

"Eu sempre digo que quando saio com minha mulher, não saio para lutar contra os palestinos, mas para um restaurante ou um show", concluiu Edelstein. EFE db/sa

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.