Harare, 22 jun (EFE).- O líder do principal partido da oposição do Zimbábue, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, anunciou hoje que não concorrerá às eleições previstas para o dia 27 de junho em virtude da campanha de intimidação que vem sendo realizada pelo Governo do presidente do país, Robert Mugabe.

O partido da oposição acusa o poder Executivo de Robert Mugabe pelos violentos ataques que foram intensificados nos últimos meses e de ter manipulado os resultados do primeiro turno.

Tsvangirai disse que o MDC venceu as eleições de 29 de março apesar da ausência de liberdade e justiça. "A mensagem do partido de mudança e da construção de um novo Zimbábue conta com o apoio da maioria dos zimbabuanos", acrescentou.

Segundo Tsvangirai, o resultado do primeiro turno do pleito confirmou os desejos de uma mudança no país, e desde então Mugabe e seus partidários vêm efetuando uma guerra contra o povo do Zimbábue.

Mais de 200 mil pessoas foram obrigadas a se deslocarem dentro do Zimbábue e mais de 86 partidários do MDC foram assassinados, disse hoje o líder do partido.

Além disso, mais de 10 mil pessoas ficaram feridas e mutiladas nesta onda de violência e 20 mil casas foram destruídas, acrescentou.

Tsvangirai citou uma longa lista de condições que tornam impossível a realização de eleições livres e justas.

Afirmou que votações confiáveis e que reflitam o desejo do povo são impossíveis, declarou na entrevista coletiva de hoje.

A milícia, os veteranos da guerra da independência e o próprio Mugabe deixaram claro em várias oportunidades que qualquer um que vote nele (Mugabe) no segundo turno das eleições corre o risco de ser assassinado, sentenciou Tsvangirai.

Segundo relatório publicado há algumas semanas pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), mais de 50 seguidores do MDC foram assassinados por grupos de choque dirigidos por veteranos de guerra com a ajuda da Polícia e do Exército.

"Os crescentes níveis de violência política acabaram com qualquer esperança de que eleições livres e justas sejam realizadas no dia 27 de junho no Zimbábue", adverte o relatório da HRW.

Mugabe proibiu que observadores internacionais provindos da União Européia (UE) e dos Estados Unidos estejam presentes no Zimbábue durante a realização das eleições, já que são acusados de tentarem derrubar o Governo zimbabuano.

No primeiro turno da eleição, realizado em 29 de março, o MDC conseguiu o poder no Parlamento. No entanto, nenhum dos candidatos alcançou a maioria absoluta necessária no Zimbábue para vencer a Presidência.

Tsvangirai obteve 47,9% dos votos e Mugabe, 43,2% - embora o MDC nunca tenha aceitado os resultados que, segundo eles, foram armados para favorecer o atual presidente.

A oposição insiste que seu candidato ganhou o primeiro turno com 50,3% dos votos e afirma que a verificação da apuração não foi realizada corretamente.

"Isto (a verificação) é um escândalo, um roubo à mão armada. Não podemos acreditar. Ganhamos as eleições de entrada e agora nos apresentam alguns números manipulados para favorecer Mugabe", declarou o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa, ao tomar conhecimento do resultado oficial da votação.

A decisão de se retirar das eleições poderia estar causando divisões internas no partido, já que ontem o tesoureiro-geral do MDC, Roy Bennett, anunciou em comunicado que Tsvangirai iria se apresentar às eleições de 27 de junho. EFE sk/fh/fal

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