Caminhoneiros argentinos decidem suspender piquetes

Por Lucas Bergman BUENOS AIRES (Reuters) - Os caminhoneiros argentinos decidiram na sexta-feira suspender os piquetes que ameaçavam provocar desabastecimento nas cidades, já que os produtores rurais recuaram na sua recusa em vender grãos.

Reuters |

O ministro da Justiça, Aníbal Fernández, disse a jornalistas que o governo estava disposto a acionar policiais e militares, 'sem armas e sem repressão', para interromper os bloqueios nas estradas. 'É crucial restaurarmos a livre circulação de veículos', disse ele.

Mas antes que isso fosse necessário os dirigentes de dois sindicatos de transportadores anunciaram o fim dos piquetes, um subproduto da crise entre governo e produtores rurais por causa de um imposto sobre exportações.

'Decidimos acabar a medida de protesto porque [os ruralistas] confirmaram ontem em reuniões e hoje por telefone que vamos poder carregar grãos e levá-los para o porto', disse Carlos Di Nunzio, presidente da Federação dos Transportadores Rurais, em entrevista coletiva ao lado do secretário nacional de Transportes.

Não está claro quando as estradas serão liberadas e se membros de outros sindicatos seguirão a ordem.

Os fazendeiros suspenderam seu locaute (greve patronal) na semana passada, mas alguns, ainda inconformados com o novo imposto progressivo sobre a exportação de soja, se recusam a carregar seus produtos nos caminhões.

Grupos de consumidores e fontes do setor alimentício dizem que os piquetes rodoviários começam a provocar escassez de alimentos e combustível em algumas áreas.

'Fazer entregas está realmente complicado. Não conseguimos chegar a certas áreas', disse Ernesto Arenaza, gerente de relações institucionais da fábrica de laticínios La Serenisima.

Essa situação pode agravar ainda mais a inflação, que em maio chegou a 0,6 por cento -- cifra que muitos economistas e consumidores dizem estar sendo 'maquiada' pelo governo para evitar desgastes políticos e os custos da indexação de títulos públicos.

Os produtores rurais suspenderam oficialmente seu protesto no domingo, mas ainda esperam retomar as negociações com o governo, que já fez ajuste no sistema de taxação progressiva.

Rosario, principal porto graneleiro argentino, na margem do rio Paraná, teve o comércio afetado pelos piquetes rodoviários.

'Já faz três dias que não chega nenhum caminhão', disse um agente. 'É muito preocupante. Há navios esperando para serem carregados.'

A Argentina é o terceiro maior exportador mundial de soja e o maior fornecedor global de óleo e farelo de soja. China e União Européia são seus principais clientes.

O conflito agrário na Argentina contribuiu com a atual alta global da soja e derruba o valor dos títulos argentinos.

Preocupados, muitos argentinos compraram dólares, o que levou o Banco Central a intervir para segurar a cotação do peso.

A popularidade da presidente Cristina Fernández caiu durante a crise, iniciada apenas três meses após sua posse. Ela diz que o polêmico imposto é uma forma de combater a inflação, garantir os estoques internos de alimentos e redistribuir renda.

REUTERS MPN MS

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