Caminhoneiros anunciam fim de greve na Argentina

A Federação dos Transportadores Rurais anunciou, nesta sexta-feira, o fim da greve dos caminhoneiros que bloqueiam o trânsito na Argentina desde terça-feira. O anúncio foi feito por representantes da entidade e pelo secretário de Transportes do governo da presidente Cristina Kirchner, Ricardo Jaime, logo após uma reunião.

BBC Brasil |

"Decidimos acabar com o protesto com a expectativa de que os ruralistas voltarão a transportar grãos", disse o presidente da entidade, Carlos Di Nuncio, que representa a mais de mil caminhoneiros.

No entanto, minutos depois do anúncio, o presidente da Confederação Argentina de Transporte de Carga (Catac, na sigla em espanhol), Rubén Agugliaro, disse à imprensa que o protesto seria mantido.

"Somos 140 mil caminhoneiros, o maior grupo do país, e não sentimos segurança nenhuma para suspender a manifestação", declarou.

Após as duas declarações, o ministro da Justiça, Aníbal Fernández, fez uma declaração na Casa Rosada (sede da Presidência), que foi transmitida pelos canais de televisão locais.

"A presidente pediu aos governadores que terminem com os bloqueios (nas estradas provinciais). (..). As forças policiais (federais) vão atuar como sempre, sem armas, mas para liberar o trânsito (nas estradas federais)".

Protestos
A expectativa nesta sexta-feira era de que as quatro entidades que representam os ruralistas divulgassem um comunicado, ratificando que elas voltaram a comercializar e transportar graõs, mas que cada produtor teria a liberdade para decidir sobre a venda de seus produtos.

O setor rural realizou um protesto durante três meses, com alguns curtos períodos de trégua, entre março e o início deste mês.

Os ruralistas protestavam contra o aumento de impostos para as exportações de grãos, anunciada pelo governo.

Os caminhoneiros reclamam que, apesar do fim da paralisação, os ruralistas não voltaram a carregar mercadorias, deixando-os sem trabalho.

Alguns líderes do setor rural argumentam, que muitos fazendeiros esperam nova decisão do governo para voltar a vender suas mercadorias.

Impacto
O protesto dos caminhoneiros levou o setor de lácteos a jogar fora cerca de quatro milhões de litros de leite por dia, já que os caminhões carregados não tinham como chegar ao destino.

A greve afetou também o turismo. Segundo o presidente da Federação de Empresários Gastronômicos, Ricardo Sanchez, o setor tem sofrido uma queda de pelo menos 40% em diferentes pontos do país.

Na segunda-feira é feriado nacional na Argentina e muitos turistas que haviam feito reservas em hotéis, inclusive na capital, Buenos Aires, pediram o cancelamento, informou Sanchez.

Além disso, as empresas de ônibus de longa distância informaram que o movimento foi reduzido em mais de 60% devido aos bloqueios nas estradas.

A situação causou falta de produtos nos supermercados - principalmente nas redes dos chineses, que são menores e não têm lugar para estocar - e agravou dois problemas que já existiam no país: a escassez de combustíveis e a pressão inflacionária.

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