Camicases que mataram 95 pessoas no Iraque tinham sido libertados pelos EUA

Os dois camicases responsáveis pela morte de 95 pessoas em Bagdá no dia 19 de agosto tinham sido recentemente libertados de uma prisão administrada pelo exército americano, já criticado pelo governo iraquiano no passado por suas libertações rápidas.

AFP |

"O camicase que acionou sua bomba diante do ministério das Relações Exteriores tinha sido libertado de Camp Bucca há três meses", afirmou um alto representante do ministério do Interior, que não quis ser identificado.

Camp Bucca é um centro de detenção localizado no sul do Iraque e administrado pelos Estados Unidos. A prisão deve fechar suas portas em setembro, devido à aceleração do ritmo das libertações de prisioneiros na perspectiva da retirada total americana, prevista para o fim de 2011.

O segundo camicase, que acionou sua bomba diante do ministério das Finanças, "também tinha sido libertado há alguns meses da mesma prisão", destacou a mesma fonte, ressaltando que ambos eram membros da rede Al-Qaeda.

Além dos dois camicases, as forças iraquianas prenderam outras 14 pessoas, todas integrantes da Al-Qaeda e suspeitas de terem participado da organização dos ataques que deixaram 95 mortos e 600 feridos.

"A maioria deles também foi libertada de Camp Bucca nos últimos meses", frisou a fonte.

A administração penitenciária americana afirmou à AFP não dispor de "nenhuma prova indicando que um ex-detento tenha participado dos ataques" de 19 de agosto.

"O governo iraquiano ainda está investigando, e seria inapropriado especular sobre a identidade dos possíveis envolvidos", declarou o capitão Brad Kimberly.

As revelações devem reacender a polêmica sobre as libertações rápidas demais de prisioneiros pelo exército americano.

"A libertação rápida demais de detentos das prisões americanas foi um dos motivos da recrudescência dos atividades terroristas", afirmara em maio o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki.

De acordo com o exército americano, 50 prisioneiros são libertados ou entregues às autoridades iraquianas a cada dia.

O Exército dos Estados Unidos libertou mais de 5.000 detentos desde janeiro, e as penitenciárias administradas pelos americanos têm agora menos de 9.000 prisioneiros, segundo um comunicado militar publicado neste domingo.

De acordo com o exército, somente os prisioneiros sobre os quais pesa uma "ordem de detenção", que equivale a uma detenção administrativa, ou uma ordem de captura podem ser transferidos às autoridades iraquianas, em virtude do acordo de segurança concluído entre Washington e Bagdá em novembro de 2008.

"Os detentos que não são objeto de uma ordem de captura ou de detenção têm que ser libertados", explicou o exército, destacando que todos os casos de possíveis libertações são estudados pelas forças americanas e pelo governo iraquiano.

mel/yw

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