Cameron recorre a Clegg para ter apoio em governo

Depois de não conseguir maioria em Parlamento britânico, líder conservador faz propostas para atrair apoio de liberal-democrata

iG São Paulo |

AP
Líder do Partido Conservador, David Cameron, faz pronunciamento um dia depois de eleição britânica
Sem usar o termo "coalizão", o líder do Partido Conservador, David Cameron, ofereceu nesta sexta-feira um acordo para atrair o apoio do Partido Liberal Democrata, de Nick Clegg. A oferta foi feita um dia depois de os conservadores terem vencido as eleições gerais britânicas, mas sem obter as 326 cadeiras necessárias para a maioria absoluta do Parlamento de 650 membros.

O atual cenário de "hung Parliament" (Parlamento enforcado, em tradução livre), em que nenhum partido conquistou maioria total para poder legislar sem outro partido, não acontecia na Grã-Bretanha desde 1974 .

Em um pronunciamento, Cameron afirmou que seu partido, que conquistou 306 cadeiras, quer "fazer uma oferta completa e aberta" aos liberal-democratas, que conseguiram 57 assentos. Há indicações de que os conservadores podem oferecer cargos no gabinete ministerial para ter o apoio do partido. Os Trabalhistas conseguiram 258 cadeiras no Parlamento.

Em seu primeiro discurso longo após as eleições, Cameron disse estar disposto a "ajudar os liberal-democratas a implementar partes do seu projeto", citando estímulos a uma "economia de baixo carbono" e estabelecer uma comissão multipartidária para realizar uma reforma eleitoral. Durante a campanha, essa foi uma das principais reivindicações dos liberal-democratas, que criticam a distribuição de votos pelo atual sistema distrital eleitoral britânico.

Cameron também identificou como suas prioridades o combate do déficit econômico e a rápida formação de um governo "forte e estável". "Recebemos a pior herança de qualquer governo dos últimos 60 anos", afirmou o conservador.

Apesar de não usar o termo "coalizão", Cameron não rejeitou esse cenário com o partido de Clegg, sugerindo que o relacionamento entre os dois partidos poderia ir além de um acordo em que os liberal-democratas restringiriam seu apoio aos conservadores na votação do Orçamento e no discurso da Rainha Elizabeth 2ª. Cameron afirmou que quer chegar a um acordo com esse partido "rapidamente".

Ao mesmo tempo, porém, Cameron advertiu que não faria concessões aos liberal-democratas em questões como cortes no orçamento de Defesa e maior abertura à União Europeia. Enquanto os conservadores defendem um distanciamento da Grã-Bretanha do bloco, os liberal-democrata querem mais participação.

As declarações foram feitas pouco depois de Clegg afirmar que, por terem vencido as eleições, os conservadores deveriam ter prioridade para tentar formar um governo . "Disse (durante a campanha eleitoral) que o partido que alcançasse o maior número de votos e cadeiras, ainda que não tivesse a maioria absoluta, seria o primeiro a ter o direito de tentar formar o governo, em minoria ou se aproximando de outros partidos, e sigo pensando o mesmo", afirmou em frente à sede de seu partido, em Londres.

Pela tradição britânica, porém, mesmo com seu partido derrotado, o atual primeiro-ministro, o trabalhista Gordon Brown, teria o direito de tentar manter-se no poder para tentar formar uma coalizão de governo. Os trabalhistas devem conquistar 255 cadeiras no Parlamento.

Gesto trabalhistas aos liberal-democratas

Brown disse na tarde desta sexta-feira que está aberto para conversar com todos os líderes dos partidos do país, mas disse que Cameron e Clegg "têm direito ao tempo que for necessário" para tentar formar uma coalizão. Segundo Brown, se essas negociações falharem, ele iniciaria conversas com os liberais-democratas.

O primeiro-ministro britânico também afirmou que seu partido tem interesses e propostas comuns com os liberal-democratas, principalmente nas áreas de economia e reforma política.

*Com BBC e jornal britânico Guardian

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