Cameron promete governo de 'liderança estável'

Novo premiê britânico anuncia que vai encaminhar projeto de lei que fixa mandato no Parlamento para cinco anos

iG São Paulo |

O novo premiê do Reino Unido, David Cameron, prometeu nesta quarta-feira governo que será regido por três princípios chaves - "a liberdade, a justiça e a responsabilidade" - e que terá como objetivo principal dar ao Reino Unido "uma liderança estável".

O primeiro governo britânico de coalizão desde 1945 apresentou sua equipe ministerial nesta quarta-feira e prometeu acelerar os esforços para reduzir o déficit orçamentário do país, num momento em que a Grã-Bretanha emerge de uma recessão profunda.

Reuters
David Cameron (esq.) e Nick Clegg (dir.) acenam para fotógrafos antes de darem início à composição do novo governo

Os conservadores do novo primeiro-ministro David Cameron fecharam um acordo de coalizão com os liberal-democratas, de Nick Clegg, que visa superar as diferenças ideológicas entre os dois partidos mas que, para críticos, pode causar instabilidade.

O conservador Cameron concedeu sua primeira entrevista coletiva junto com seu vice-primeiro-ministro, o liberal-democrata Nick Clegg, nos jardins do número 10 de Downing Street e fez uma declaração na qual assegurou que o governo de coalizão tem "uma agenda compartilhada". "Temos não só um novo governo, mas também uma nova política na qual o interesse nacional está acima do interesse dos partidos", disse Cameron antes de dar a palavra a Clegg.

O líder liberal-democrata destacou que o novo governo "será durável", apesar das diferenças entre as formações, porque estão unidas no propósito de ter um Executivo estável. Cameron afirmou que irá propor nesta quarta-feira uma nova lei que estabeleça um mandato fixo de cinco anos para o Parlamento. "Até hoje éramos rivais e agora somos colegas, e isso é algo que diz muito sobre esta nova política", manifestou Clegg.

Os líderes demonstraram a unidade do recém-nascido governo de coalizão, o primeiro do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial, chegando juntos à entrevista coletiva. Cameron não poupou adjetivos para descrever o momento político que vive o Reino Unido e declarou que o hoverno de aliança representa uma mudança de proporções "históricas e sísmicas" e que seu trabalho tem vocação de "longo prazo".

Destacou que a nomeação de seis liberais-democratas ao governo, incluindo Clegg, é "o sinal da fortaleza e da base forte da coalizão" e mostra a "determinação sincera de trabalhar de maneira construtiva para que esta coalizão funcione pelo bem do interesse nacional". "Temos a determinação compartilhada de enfrentar os desafios que tem o país: proteger nossa segurança nacional e apoiar nossas tropas no exterior, enfrentar a crise da dívida, reparar nosso sistema político e construir uma sociedade mais forte", declarou o novo primeiro-ministro e líder conservador.

Clegg, o líder do Partido Liberal-Democrata, destacou que a sociedade britânica segue sofrendo "injustiça", mas ao mesmo tempo ressaltou que "em um momento de enormes dificuldades como o atual, nosso país necessita um governo estável e sólido". "Era necessário um governo ambicioso, decidido a trabalhar por um futuro melhor", acrescentou o líder liberal-democrata, quem admitiu que a opção do governo de coalizão representa "um risco" que o tempo deve resolver.

Recuperação da economia

A coalizão terá que reduzir um déficit orçamentário que já chega a mais de 11% do PIB. Ela adotou os planos conservadores de cortar 6 bilhões de libras (US$ 8,96 bilhões) em gastos neste ano financeiro, num prazo menor do que o que os liberais democratas desejavam.

"Nenhum outro governo dos tempos modernos já recebeu uma herança econômica tão terrível", disse Cameron em entrevista coletiva ao lado do líder liberal-democrata, Nick Clegg. "Sabemos que temos decisões difíceis pela frente."

Clegg, que é o novo vice-primeiro-ministro, disse que o governo será "radical e reformista" quando necessário e que será uma fonte de estabilidade. "Em um tempo de dificuldades tão enormes, nosso país precisava de um governo forte e estável", disse ele.

Os planos da coalizão incluem:

- A introdução de uma taxa sobre as operações dos bancos;

- Comissões para investigar a possibilidade de separar as operações bancárias varejistas e de investimentos.;

- A elevação do imposto sobre ganhos de capital não empresariais, para aproximá-lo dos níveis do imposto de renda;

- A adoção de limites à imigração não oriunda da União Europeia.

Fechado na madrugada de quinta-feira, cinco dias após uma eleição inconclusiva, o acordo pôs fim a 13 anos de governo do Partido Trabalhista, de centro-esquerda, sob Tony Blair e seu sucessor, Gordon Brown, que renunciou na última terça-feira.

David Cameron assume

David Cameron, de 43 anos, assumiu na noite de terça-feira a chefia do governo após a renúncia do trabalhista Gordon Brown e depois que a rainha Elizabeth II lhe convidou a formar a nova administração.

Seguindo o protocolo britânico, Cameron aceitou o convite da Rainha Elizabeth 2.ª para formar o novo governo, representando a volta dos conservadores ao poder após 13 anos de hegemonia do Partido Trabalhista.

A nomeação de Cameron, de 43 anos, ocorre cinco dias depois das eleições gerais garantirem a seu partido o maior número de cadeiras no Parlamento de 650 membros (306), mas não as 326 necessárias para a maioria absoluta. Ele será o premiê britânico mais jovem em quase 200 anos.

Em pronunciamento após seu encontro com a Rainha, o novo premiê britânico anunciou que governará em coalizão com o Partido Liberal Democrata, de Nick Clegg, que conquistou 57 cadeiras nas eleições de quinta-feira. Somados, os dois partidos terão 363 cadeiras no Parlamento.

Ao chegar ao número 10 da Downing Street, residência oficial dos primeiros-ministros, Cameron falou dos grandes "desafios" que a Grã-Bretanha enfrenta - o déficit e os problemas sociais - e destacou a necessidade de restabelecer a confiança no sistema político britânico.

Para conseguir isso, frisou, ele e Clegg estão dispostos a "superar as diferenças partidárias e trabalhar duro pelo bem comum e pelo interesse nacional". Ao chegar à sua nova casa, Cameron também elogiou o antecessor por sua "história de serviço público".

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