Cameron estende a mão a Clegg em busca de Governo sólido no R.Unido

Patricia Rodríguez. Londres, 7 mai (EFE).

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Patricia Rodríguez. Londres, 7 mai (EFE).- O líder do Partido Conservador, David Cameron, vencedor das eleições britânicas apesar de não ter obtido maioria absoluta, estendeu a mão aos liberal-democratas com uma oferta "global" de Governo, que os dois partidos começarão a discutir ainda esta noite. Com 306 cadeiras (36,1% dos votos), os conservadores foram os que obtiveram mais representação na Câmara dos Comuns de Westminster, frente aos 258 do ainda governante Partido Trabalhista (29,1%), mas terão que buscar aliados. Os "tories" não obtiveram os 326 assentos necessários para governar sozinho e o Reino Unido encontra-se pela primeira vez desde 1974 com um Parlamento sem maioria absoluta, uma situação complicada que força os partidos a negociar eventuais alianças ou apoios táticos. Diante de tal situação, o ainda primeiro-ministro e líder trabalhista, Gordon Brown, está legitimado para continuar à frente do gabinete enquanto uma saída não for encontrada. No entanto, o liberal-democrata Nick Clegg, cuja formação alcançou um resultado decepcionante nas urnas, por ter obtido apenas 57 cadeiras (23% dos votos) após a euforia da campanha, reiterou hoje sua convicção de que corresponde aos conservadores dar o primeiro passo para formar o Governo. Suas palavras foram rapidamente aproveitadas pelo líder "tory", que se antecipou a fazer um convite aos liberal-democratas, com o qual, apesar de discordarem em pontos-chave, se mostrou disposto a encontrar vias de entendimento. "Quero fazer uma oferta global, ampla e sincera aos liberal-democratas. Quero que trabalhemos juntos para enfrentar os grandes e urgentes problemas de nosso país", disse Cameron. O líder "tory" advertiu, no entanto, que seu partido continua "oposto firmemente a conceder mais poderes à União Europeia (UE)" e não será "brando" em matéria de imigração, frente à proposta liberal-democrata de regularizar a situação dos "imigrantes ilegais" que vivem no Reino Unido há anos. Cameron também deixou claras suas diferenças com os liberais em matéria de defesa, ao fazer alusões ao fato de que não aceitará a não renovação do sistema nuclear Trident, um dos pontos-chave do "manifesto" liberal. Além disso, Cameron disse que os "tories" continuam "completamente convencidos" de que o novo Executivo, seja qual for, herdará o pior legado de um Governo em pelo menos 60 anos e deverá começar a cortar este ano "o recorde de 163 bilhões de libras de déficit" no país. Começar este mesmo ano a enfrentar o enorme déficit fiscal sofrido pelo Reino Unido é um objetivo prioritário dos conservadores, uma posição diferente da dos liberal-democratas e dos trabalhistas, ambos partidários de adiar os eventuais cortes até a consolidação da recuperação econômica. Cameron reconheceu, no entanto, que seu partido poderia ser flexível em certos assuntos, em benefício de uma colaboração "sincera e confiante" entre os dois grupos e lembrou que são favoráveis a uma "economia verde". Outro possível ponto de consenso é a oposição de conservadores e liberais à proposta trabalhista de aumentar a cotação para a seguridade social a partir do ano que vem. O líder "tory" renunciou à radical oposição mostrada até agora à reforma do sistema eleitoral para torná-lo mais representativo - uma exigência do partido de Clegg -, para propor a criação de uma comissão que analisaria a possibilidade. A oferta dos conservadores coloca agora o líder liberal-democrata diante de um dilema, já que Brown também ofereceu negociar com seu partido uma eventual aliança caso não se chegue a um acordo com os "tories". EFE prc/pd

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