Cameron entra em reta final de campanha como favorito no R.Unido

Judith Mora. Londres, 2 mai (EFE).

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Judith Mora. Londres, 2 mai (EFE).- Ainda que sem uma maioria absoluta, o candidato conservador, David Cameron, fecha o último fim de semana antes das eleições britânicas como favorito a chegar à chefia de Governo, enquanto trabalhistas e liberal-democratas lutam pelo posto de segundos na preferência popular. Os três principais partidos do Reino Unido elevaram o tom - a ponto de chegar à desqualificação pessoal - durante o fim de semana prévio às eleições legislativas, marcadas para 6 de maio, mesma data do pleito municipal. Em artigo no jornal "The Sunday Telegraph", Cameron descreve o líder trabalhista e atual primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, como "uma figura infortunada" que, longe de seu velha imagem de "colosso econômico e gênio político", recorre ao medo e a "calúnias desesperadas" para tentar se manter no poder. Já Brown, apontando como terceiro por algumas pesquisas, ataca no "Observer" a surpresa Nick Clegg, líder liberal-democrata. O premiê diz que o adversário parece mais indicado para apresentar um programa de televisão do que para dirigir o Reino Unido. Clegg, por sua vez, aproveita todas as oportunidades que tem para rejeitar as desqualificações de seus adversários e taxá-las de meras táticas para dissuadir eleitores de votar "na mudança verdadeira". A quatro dias das eleições, o efeito Clegg - a popularidade do candidato disparou após o primeiro debate na Tv - parece estar diminuindo e a última sondagem publicada hoje pelo "Telegraph" situa os liberais na terceira posição. A sondagem põe Cameron em primeiro lugar, com 36% das intenções de voto (três pontos acima da terça passada) e coloca os trabalhistas de Brown na segunda posição, com 29% (crescimento de um ponto). Segundo a pesquisa, na mesma comparação os liberal-democratas perderiam três pontos, para 27% das intenções de voto. Aplicadas no Parlamento, tais porcentagens dariam 279 cadeiras aos tories, 261 aos trabalhistas e 78 aos liberal-democratas. Isso significa que os conservadores teriam que governar sem maioria absoluta - são necessárias 326 cadeiras - e os liberal-democratas poderiam ter grande peso ao serem disputados pelos dois rivais. Ainda que os liberais superem os trabalhistas em porcentagem de voto, como algumas pesquisas preveem, isso não se refletiria com a mesma proporção nas cadeiras do Parlamento. O sistema eleitoral britânico só permite a eleição de um deputado por cada circunscrição e, assim, os votos se perdem se não dados ao vencedor. Salvo no caso de um giro radical de última hora, tudo aponta para que David Cameron seja eleito, mas em uma situação que pode obrigá-lo a governar buscando apoios pontuais ou, caso precise de poucas cadeiras, com um acordo mais simples com os unionistas da Irlanda do Norte. A grande maioria da imprensa britânica deu seu apoio ao líder tory. Diretamente, se manifestaram "The Sunday Telegraph", "The Times", "The Sunday Times", "The News of the World", "The Mail on Sunday", "Sunday Express" e "The Sun", enquanto indiretamente falaram a favor dele "Daily Express", "Daily Mail" e "The Daily Telegraph". O "Guardian" e sua versão dos domingos, "The Observer", tradicionalmente trabalhistas, pediram o voto para Clegg por sua promessa de fazer uma reforma eleitoral, o que também é apoiado pelo "Independent on Sunday", que defende o voto tático para manter os tories fora e dar lugar a uma coalizão liberal-trabalhista. Os únicos diários que apoiam abertamente o partido governante são os fiéis "Daily Mirror" e "Sunday Mirror", enquanto o "Independent" e o "Financial Times" ainda não se posicionaram, embora este último se mostre sistematicamente crítico ao Governo. EFE jm/rr

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