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Cameron e elenco de Avatar protestam contra hidrelétrica de Belo Monte

Eduardo Davis. Brasília, 12 abr (EFE).- O diretor de Avatar, James Cameron, e parte do elenco do filme se uniram hoje em Brasília a um protesto de índios e ambientalistas contra o principal projeto de energia do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva na Amazônia, a hidrelétrica de Belo Monte.

EFE |

"Ouvi os índios, ouvi suas críticas, fiquei ciente dos motivos de sua luta e não posso evitar me unir a este grito de resistência", afirmou o cineasta canadense perante centenas de ativistas reunidos na sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Esse organismo oficial marcou para o próximo dia 20 a licitação para a concessão das obras da colossal usina de Belo Monte, que será construída no rio Xingu, em plena Amazônia. Quando concluída, será a terceira maior hidrelétrica do mundo, atrás apenas da usina de Três Gargantas (China) e de Itaipu Binacional (Brasil-Paraguai).

Belo Monte custará cerca de US$ 10,6 bilhões, terá capacidade de geração de 11.233 megawatts e criará 18,7 mil empregos diretos. No entanto, segundo os movimentos sociais, essas vagas de trabalho não serão para os habitantes da região, em sua maioria índios e pequenos agricultores dedicados ao cultivo de cacau.

A execução do projeto sobre o rio Xingu, no município de Altamira (Pará) exigirá a inundação de uma área de 506 quilômetros quadrados e o deslocamento de aproximadamente 50 mil índios e camponeses, de acordo com os grupos que se opõem às obras.

Cameron, junto a Sigourney Weaver e Joel David Moore, dois dos protagonistas de "Avatar", participou do final das passeatas de protesto. Antes de chegarem à sede da Aneel, os manifestantes tinham percorrido avenidas do centro de Brasília com cartazes nos quais se liam, entre outras frases, "Lula, terror da Amazônia".

O cineasta se comprometeu perante os manifestantes a "divulgar no mundo" a rejeição de índios e camponeses ao projeto, além de proclamar à comunidade internacional que "há outros modelos de progresso e desenvolvimento" menos agressivos ao meio ambiente.

O diretor explicou que, nessas duas semanas que passou no Brasil, onde participou de reuniões ambientais e divulgou o DVD de "Avatar", ouviu "dezenas de pessoas falarem contra esse projeto por causa do impacto que terá para o meio ambiente e para as populações amazônicas".

A atriz Sigourney Weaver, por sua vez, disse que, tal como em "Avatar" ela representa uma cientista comprometida com a defesa das florestas e de seus povos, ela se unirá à luta dos índios e camponeses brasileiros contra a usina de Belo Monte.

"As represas hidrelétricas são do século XIX e o mundo quer um modelo de desenvolvimento para o século XXI", exclamou a atriz com o punho erguido, ovacionada pelos ativistas.

O cacique Piracuma, dos índios Yawalapiti, uma das tribos mais afetadas pela futura represa, assegurou à Agência Efe que, caso o projeto siga adiante, "a natureza se vingará um dia e os índios serão os que enterrarão os mortos".

À luta contra a hidrelétrica se uniu o Ministério Público Federal (MPF), que apresentou duas ações perante a Justiça para tentar suspender a licitação por erros encontrados na licença ambiental e por uma incompatibilidade com a Constituição.

Segundo o MPF, a usina causará um "grave impacto" na Floresta Amazônica, poderá secar 100 quilômetros do rio e contaminar a água, o que porá em perigo a sobrevivência de milhares de famílias de camponeses e vários povos indígenas.

O Ministério Público também sustenta que não se pode realizar o leilão porque não existe uma legislação que regule expressamente a construção de hidrelétricas em terras indígenas, que estão protegidas por normas constitucionais.

Para o cacique Piracuma, se a licitação realmente acontecer no dia 20, "os movimentos sociais, os índios e os povos do Xingu" acentuarão sua "luta", pois nela estarão em jogo "a sobrevivência e o futuro de seus filhos e seus netos". EFE ed/sa

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