Cameron defende sentenças duras para responsáveis por distúrbios

Em caso mais polêmico, jovens são condenados a 4 anos de prisão por planejar no Facebook protestos que não chegaram a acontecer

iG São Paulo |

AP
Cameron discursa em um centro para jovens no distrito de Witney (15/08)
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, defendeu nesta quarta-feira as “sentenças duras” dadas aos envolvidos nos distúrbios no Reino Unido que aconteceram na semana passada. De acordo com a Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres), mais de mil pessoas foram indiciadas, enquanto grupos de direitos humanos afirmam que muitas punições são exageradas.

“As decisões sobre sentenças cabem aos tribunais. Eles decidiram mandar uma mensagem forte e é ótimo que tenham se sentido capazes de fazer isso”, afirmou Cameron.

O caso mais polêmico até agora é o de dois jovens condenados a quatro anos de prisão por usar o Facebook para incitar distúrbios. Jonathan Blackshaw, 21 anos, e Perry Sutcligge-Keenan, 22, admitiram ter usado a rede social para estimular protestos em Northwich e Warrington, mas nenhum dos dois eventos chegou a acontecer.

O advogado de Blackshaw, Chris Johnson, disse que a família do garoto está “chocada” e vai recorrer da decisão da Justiça. De acordo com a BBC, no Reino Unido sentenças de quatro anos de prisão geralmente são dadas, por exemplo, a quem causa graves ferimentos a alguém ou comete ataque sexual.

Especialistas ouvidos pela BBC disseram que sentenças muito duras podem aumentar o número de apelos judiciais, sobrecarregando os tribunais britânicos.

Em comunicado, o Ministério da Justiça disse que os juízes atuam de forma independente em relação ao governo. “As sentenças são decididas com base nas circunstâncias de cada caso”, acrescentou um porta-voz. “Por isso acusados que parecem ter cometido o mesmo crime podem receber sentenças diferentes.”

O chefe interino da Scotland Yard, Tim Godwin, disse que a investigação está “longe de terminar” e pediu que o público dê informações à polícia sobre qualquer pessoa envolvida nos distúrbios. “Não deixem eles escaparem”, afirmou, em comunicado.

Polícia com mais poder

A polícia britânica irá endurecer as táticas e poderá impor toques de recolher para evitar distúrbios de rua como os ocorridos na semana passada no Reino Unido, cujos culpados serão obrigados a limpar os prejuízos que causaram.

Em tom autoritário, a ministra do Interior, Theresa May, indicou que a polícia precisa de novos poderes para endurecer a resposta aos distúrbios de rua "dentro da lei e com bom senso". Dentre as novas medidas está a possibilidade de os agentes imporem toques de recolher em áreas específicas e para adolescentes. Atualmente, a lei fala apenas em dispersar concentrações durante desordens públicas, além de poder ser aplicada apenas a indivíduos maiores de 16 anos. Mais de um quinto dos detidos em Londres é menor de idade.

"Enquanto continuarmos tolerando o tipo de comportamento antissocial que ocorre todos os dias no país, seguiremos com elevados índices de delitos, falta de respeito pela propriedade privada e desprezo pela comunidade", indicou a ministra de Interior, que defendeu a revisão do funcionamento das polícias da Inglaterra e do País de Gales.

Segundo a ministra, que anunciou a criação de uma Agência Nacional do Crime no Reino Unido, a resposta das autoridades deve passar por uma polícia mais presente nas ruas e com claras pautas de comportamento para lidar com autores de distúrbios. A ministra, no entanto, mostrou-se contrária a métodos utilizados, como balas de borracha, canhões de água e cassetetes.

Com BBC e AP

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