Cameron assume após renúncia de Brown

Vicê-premiê será Nick Clegg, líder dos liberais democratas; nomeação põe fim a 13 anos de hegemonia trabalhista no poder

iG São Paulo |

Reuters
Líder do Partido Conservador, David Cameron, cumprimenta Rainha Elizabeth 2.ª durante encontro em que foi convidado a formar novo governo britânico
O líder do Partido Conservador, David Cameron, tornou-se o novo primeiro-ministro britânico nesta terça-feira, após a renúncia do trabalhista Gordon Brown ao cargo . Seguindo o protocolo britânico, Cameron aceitou o convite da Rainha Elizabeth 2.ª para formar o novo governo, representando a volta dos conservadores ao poder após 13 anos de hegemonia do Partido Trabalhista.

A nomeação de Cameron, de 43 anos, ocorre cinco dias depois das eleições gerais garantirem a seu partido o maior número de cadeiras no Parlamento de 650 membros (306), mas não as 326 necessárias para a maioria absoluta. Ele será o premiê britânico mais jovem em quase 200 anos.

Em pronunciamento após seu encontro com a Rainha, o novo premiê britânico anunciou que governará em coalizão com o Partido Liberal Democrata, de Nick Clegg, que conquistou 57 cadeiras nas eleições de quinta-feira. Somados, os dois partidos terão 363 cadeiras no Parlamento. Clegg ocupará o cargo de vice-premiê.

Ao chegar ao número 10 da Downing Street, residência oficial dos primeiros-ministros, Cameron falou dos grandes "desafios" que a Grã-Bretanha enfrenta - o déficit e os problemas sociais - e destacou a necessidade de restabelecer a confiança no sistema político britânico.

Para conseguir isso, frisou, ele e Clegg estão dispostos a "superar as diferenças partidárias e trabalhar duro pelo bem comum e pelo interesse nacional". Ao chegar à sua nova casa, Cameron também elogiou o antecessor por sua "história de serviço público".

Acordo para a coalizão

Desde sexta-feira, os conservadores mantinham negociações com os liberais-democratas - que também negociavam com os trabalhistas -, depois que a eleição terminou no chamado "hung Parliament" (Parlamento enforcado, em tradução livre), com nenhum partido tendo o número de cadeiras suficientes para legislar sem auxílio de outra legenda.

Antes de poder formar uma coalizão, Clegg deve conseguir o apoio de seus parlamentares e da comissão executiva do partido.

Previamente à renúncia de Brown, os liberais-democratas afirmaram que as negociações com os trabalhistas fracassaram porque "o Partido Trabalhista nunca levou a sério as perspectivas de formar um governo progressista e reformador".

Renúncia de Brown

AFP
Brown caminha com sua família após anunciar a renúncia em Downing Street, rua da residência oficial do premiê britânico
Com o fracasso das negociações, Brown, cujo Partido Trabalhista conquistou 258 cadeiras na quinta-feira, anunciou sua renúncia em Downing Street. Ele deixa o cargo após três anos como primeiro-ministro, após suceder a Tony Blair (1997-2007).

"Minha renúncia como líder do Partido Trabalhista terá efeito imediato", afirmou Brown, um dia depois de anunciar que pretendia permanecer no cargo de líder trabalhista - e, consequentemente, como primeiro-ministro - até setembro. “Sempre me esforcei para servir, para fazer o melhor no interesse da Grã-Bretanha, seus valores e seu povo. Obrigado, e adeus", disse.

Brown lembrou que, depois das eleições gerais da semana passada, nenhum partido conseguiu a maioria no Parlamento britânico e que, depois disso, prometeu "fazer tudo o que eu podia para garantir a formação de um governo forte e estável, capaz de enfrentar os desafios econômicos e políticos da Grã-Bretanha de forma eficaz".

O discurso de renúncia de Brown incluiu também um relato pessoal sobre a experiência de ser primeiro-ministro e votos de boa sorte para o seu sucessor. "Apenas aqueles que já ocuparam o cargo de primeiro-ministro podem compreender totalmente o peso de suas responsabilidades e sua grande capacidade para fazer o bem", afirmou.

*Com BBC, Reuters, AFP e EFE

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