Cameron aprova planos para aumentar presença militar nas Malvinas

Segundo jornal The Times, aumento do contingente ocorre antes da chegada de príncipe William ao arquipélago

iG São Paulo |

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, aprovou um plano de contingência para ampliar a presença militar nas Ilhas Malvinas antes da chegada do príncipe William que ficará por seis semanas no arquipélago, informou nesta quinta-feira o jornal The Times.

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AP
Premiê britânico, David Cameron, fez um discurso em Downing Street, Londres (20/10/11)

O incremento militar nas ilhas acontece em meio ao aumento da tensão entre o Reino Unido e a Argentina pela soberania das ilhas. Como informou a publicação, Cameron dedicou um dia para avaliar com sua cúpula militar a retórica cada vez mais agressiva do governo argentino liderado por Cristina Kirchner.

Na quarta-feira, Cameron detalhou no Parlamento que havia convocado o Conselho Nacional de Segurança para abordar o assunto e acusou a Argentina de "colonialismo" por reivindicar a soberania das Malvinas, o que tem sido reiteradamente repetido pelo governo sul-americano desde 1833.

O The Times acrescentou que o Reino Unido tem planos de enviar em breve um novo efetivo à região por meio da Ilha da Ascensão, no Oceano Atlântico, que também é de posse britânica. "Estamos traçando uma estratégia de contingência. Temos certeza de que a mesma está correta", afirmou uma fonte da Defesa para o jornal.

Segundo a publicação, que dedicou toda a sua capa ao conflito com a chamada "Novo alerta nas Malvinas", o governo de Cameron considerou que as ilhas estão agora melhor protegidas do que em 1982, quando a Junta militar argentina decidiu ocupá-la em 2 de abril, em uma ação que provocou uma guerra entre os dois países.

As ilhas dispõem de quatro aviões Typhoon em Mount Pleasant, base aérea que tem um radar, e sempre há uma fragata ou um destróier patrulhando a região, informou o jornal, que acrescentou que o Ministério de Defesa britânico não revelou onde estão os submarinos nucleares.

Em uma surpreendente declaração parlamentar, Cameron disse na quarta-feira à Câmara dos Comuns que convocou o Conselho Nacional de Segurança e que a Argentina não devia subestimar sua determinação em defender os habitantes das ilhas. "O que os argentinos disseram recentemente é muito mais colonialismo, porque os moradores (da ilha) querem continuar sendo britânicos e os argentinos querem que eles façam outra coisa", afirmou Cameron no Parlamento.

Em resposta a essa afirmação, o governo argentino contra-atacou . "São absolutamente ofensivas, principalmente se tratando do Reino Unido. A história mostra claramente qual foi sua atitude frente ao mundo", declarou o ministro do Interior argentino, Florencio Randazzo. O ministro das Relações Exteriores afirmou que "qualquer país, qualquer povo, que conheça um pouco de colonialismo sabe que a Argentina não é um país colonialista".

Há 11 dias, o premiê indicou que descartava uma negociação com a Argentina sobre a soberania das ilhas e sustentou que seu país deve manter a "vigilância", em clara referência à decisão de vários países latino-americanos de bloquear o acesso aos portos de navios com bandeira das Malvinas.

A União Europeia considera que essas tensões são um assunto bilateral, segundo informou o porta-voz de Catherine Ashton, a chefe da diplomacia comunitária do bloco. "Trata-se fundamentalmente de um assunto bilateral entre o Reino Unido e Argentina", disse Michael Mann na entrevista coletiva diária da Comissão Europeia.

Em dezembro, o Mercosul, formado pelo Brasil, Uruguai, Paraguai e Brasil, anunciaram que iriam bloquear o acesso a seus portos de navios com bandeiras das Malvinas.

Mas o chanceler britânico, William Hague, disse na ocasião que ele tinha estabelecido "discussões honestas e produtivas com Uruguai, Chile e Brasil" e os três países disseram que "não tem intenção de participar de nenhum bloqueio econômico nas Ilhas Malvinas".

Ele disse que esses países concordaram em permitir o acesso de navios comerciais relacionados às Malvinas.

Esse ano, a guerra que os países enfrentaram pela posse das Malvinas completa 30 anos, depois que os militares argentinos ocuparam a ilha em 2 de abril de 1982, embora o conflito armado tenha terminado em 14 de junho desse ano com a rendição da Argentina.

Com EFE

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