Câmera escondida revela manipulação de votos no Zimbábue

Londres- Um filme feito com uma câmera escondida mostra como os seguidores do presidente zimbabuano, Robert Mugabe, manipularam os votos no pleito de 27 de junho, no qual ele se declarou vencedor.

EFE |

A gravação, feita para o jornal "The Guardian", foi de autoria do agente penitenciário Shepherd Jouda, de 36 anos, que se viu obrigado a fugir do Zimbábue com sua família.

Segundo o diário, Jouda decidiu fazer as imagens ao ser testemunha da violência contra os seguidores do Movimento para Mudança Democrática (MDC), partido da oposição, e por causa do assassinato, há dois meses, de seu tio, que era ativista dessa legenda.

Jouda testemunhou como os seguidores de Mugabe manipulavam os votos quando estes pediram que os agentes penitenciários organizassem uma votação postal e preenchessem as cédulas.

O agente usou uma câmera escondida e registrou imagens durante os seis dias prévios ao segundo turno, realizado em 27 de junho, no qual Mugabe se declarou vencedor com o apoio de 90% dos votos, acrescenta o jornal.

"Nunca tinha visto este tipo de violência antes. Como é possível que um governo que afirma ser eleito democraticamente mate sua gente e torture sua população?", questionou.

A filmagem mostra como Jouda e seus colegas da prisão central de Harare tinham de preencher as cédulas em favor de Mugabe, diante dos ativistas do Zanu-PF, partido do presidente.

Também disse que viu os seguidores de Mugabe observarem nas ruas como as pessoas votavam.

"Eles (os seguidores do Zanu-PF) estão na sua frente quando você vai depositar o seu voto. Eles te observam", afirmou.

Uma vez realizada a gravação, Jouda se viu obrigado a abandonar o Zimbábue com sua família e está em um local secreto, diz o diário.

"Não lamento o que fiz, apesar tomei uma decisão difícil. Podemos viver sem as lembranças de ver corpos mortos na prisão, mortos nas ruas, mortos em minha família", disse.

"Perdi meu tio e meu pai também foi espancado pelo Zanu-PF", contou Jouda.

Esta filmagem foi divulgada hoje pela "BBC" e coincide com a condenação internacional pelo resultado eleitoral no Zimbábue.

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