Camboja usa armas de guerra como filão turístico

Jordi Calvet Phnom Penh, 2 fev (EFE).- A maioria dos turistas que visitam o Camboja desfruta do remanso de paz dos templos de Angkor, mas há alternativas para quem busca emoções mais fortes, como o imenso arsenal de armas que causaram décadas de conflito e guerra civil.

EFE |

No "Clube Feliz" de Phnom Penh, em vez de música ou espetáculos de variedades, o cliente encontra uma diversão que consiste em disparar inúmeras armas de todo tipo, tamanho e calibre. Assim os militares cambojanos encontraram uma nova maneira de fazer negócio.

A recepção do campo de tiro, situado dentro da base militar de Pochentong, é uma moderna cafeteria decorada com metralhadoras antigas, onde não há nenhum inconveniente em tomar cervejas enquanto o instrutor apresenta o catálogo de vendas.

Primeiro ele oferece um AK-47 que, com 25 balas, sai por US$ 40, o mesmo que custa sua versão americana. Em seguida ele mostra um M-16, mas só com 15 projéteis, que podem ser disparados de um em um ou em rajada.

Outras "especialidades da casa" são pistolas, revólveres, lança-granadas, metralhadoras M-60 e granadas, a US$ 50 a unidade, que "se podem atirar em uma poça d'água ou contra o chão e ver a explosão", descreve o catálogo.

Mas a estrela das armas é sem dúvida o lança-foguetes, que sai por US$ 350, incluindo o transporte.

"É preciso ir às montanhas, não muito longe. Mas está em boas condições. Você dispara e vê como o foguete voa e no final explode", explica Peth, um jovem soldado que atende os turistas na base e que se refere ao lugar como "minha loja".

Quatro visitantes fazem o pedido (dois M-16, um AK-47 e uma Colt 45) enquanto Peth insiste: "Certeza de que não quer o M-60? É ótimo.

Esta semana vendi para três", sem dar importância a seus US$ 80.

Vestido com um jaqueta do Exército cambojano, o aprendiz de Rambo entra na sala de tiro, uma galeria de 40 metros de comprimento com um alvo ao fundo, pendurado em cima de vários pneus.

Depois de dois minutos de tiros, o Kalashnikov soltou inúmeras cápsulas e deixou um forte cheiro de enxofre da pólvora queimada.

Em apenas meia hora, o estabelecimento recebe outros quatro turistas e vários cambojanos que querem fazer práticas de tiro.

"Muitos turistas vêm aqui", afirma Peth. Ele diz que o negócio vai de vento em popa, embora a lei cambojana proíba o uso de armas de guerra como as oferecidas no clube.

Nos anos 90, os campos de tiro foram uma expressão da economia informal hegemônica no país. Eles buscavam aproveitar o excedente de fuzis e pistolas gerado durante os anos de conflito.

Mas hoje em dia, os campos de tiro são mais uma atração do que uma fonte econômica.

"O Governo nos fornece tudo. Armas e munição", afirma Peth. Ele acrescenta que o Camboja continua sendo um lugar onde poucos dólares permitem dar rédea solta a todo tipo de barbaridades.

O último exemplo é o de Steve Lee, um cantor de country australiano que filmou em um campo de tiro cambojano o videoclipe de sua canção "I like guns".

Com mais de 1,25 milhão de downloads no YouTube, o vídeo mostra o músico carregando e atirando com todo tipo de armas até terminar com o disparo de um lança-foguetes B-40 contra um carro que o artista acabara de comprar, deixando-o em sucata incendiada.

"Tivemos todo o tempo do mundo e pudemos atirar com todo tipo de ótimas armas que nunca poderíamos nem tocar na Austrália", declarou Lee.

O australiano é um ídolo entre os ativistas a favor do direito a portar armas nos Estados Unidos, onde já foi convidado a atuar na próxima convenção anual da polêmica Associação Nacional da Espingarda. EFE jcp/sa

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