Camboja e Tailândia pactuam cessar-fogo após confrontos

Choques na instável fronteira deixaram ao menos cinco mortos; países vizinhos arrastam conflito desde 2008

EFE |

A Tailândia e o Camboja acordaram neste sábado um cessar-fogo na região de fronteira em disputa ao redor do templo de Preah Vihear para colocar fim aos confrontos entre as tropas dos dois países, os mais graves desde abril de 2009, que desde sexta-feira causaram ao menos 5 mortes.

O chefe da zona militar tailandesa, o tenente-general Thawatchai Samutsakorn, e seu colega cambojano, Chea Mon, acordaram o fim das hostilidades na primeira hora da tarde, depois da última troca de tiros que causou a morte de ao menos um soldado tailandês e feriu outros quatro.

AP
Foto divulgada pela agência chinesa Xinhua mostra militares tailandeses (E) em reunião com forças cambojanas, em checkpoint do distrito de Anlong Veng, na fronteira
Segundo o porta-voz do Exército da Tailândia, o coronel Sansern Keowkhamnerd, os militares acordaram que as duas partes não desdobrarão mais tropas na região e que cada comando supervisionará as suas para prevenir novos confrontos. Além do soldado tailandês morto neste sábado, as autoridades tailandesas admitiram a morte na véspera de um civil, enquanto o porta-voz do Governo do Camboja, Phay Siphan, reconheceu a morte no choque da véspera de dois soldados e um civil cambojano.

Phay Siphan indicou que durante o confronto deste sábado, tropas cambojanas mataram 13 soldados tailandeses, informação não confirmada pela Tailândia. A consequência da troca de fogo de artilharia destruiu várias casas e levou centenas de pessoas a abandonarem suas moradias dos dois lados da fronteira.

Após o acordo de cessar-fogo, o governador da província tailandesa de Surin, Serm Chainarong, disse que a passagem na fronteira de Chong Jom, fechado na véspera, voltava a ser aberta. "Espero que a situação volte em breve à normalidade", manifestou o vice-primeiro-ministro tailandês, Suthep Tuagsuban. "Deveríamos entre todos tentar reduzir o confronto na fronteira", acrescentou.

Acusações

Ambos os países acusam-se mutuamente do início das hostilidades. Segundo Tailândia, os confrontos começaram quando as tropas do Camboja abriram fogo de artilharia, enquanto o governo cambojano atribuiu a uma incursão de soldados tailandeses que responderam com fogo quando foram requeridos pelos cambojanos a retornar ao outro lado da fronteira.

O Ministro de Assuntos Exteriores cambojano, Hor Namhong, enviou neste sábado uma carta de protesto ao Conselho de Segurança da ONU pela "flagrante agressão" da Tailândia na qual advertiu que a situação é "explosiva". Enquanto isso, o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, declarou depois de se reunir com os chefes de segurança que o choque ocorreu porque os soldados tailandeses devem proteger a soberania do país. Abhisit negou que a Tailândia tivesse invadido o território cambojano, tal como denuncia Phnom Penh, e pediu aos tailandeses que deem apoio às forças armadas em sua defesa da soberania nacional.

Os confrontos começaram horas depois de os ministros de Assuntos Exteriores do Camboja e Tailândia reunirem-se na localidade cambojana de Siem Reap para prevenir o aumento da tensão pela disputa territorial. Os dois países reforçaram nesta semana a segurança na região após uma troca de críticas pelo fato de a Tailândia pedir a retirada de uma bandeira cambojana do templo adjacente de Keo Sikha Kirisvara, que segundo Bangcoc fica na zona em disputa.

Hor Namhong indicou após a entrevista ao colega, que manteriam a bandeira porque o templo fica em território cambojano. Os combates coincidem com as mobilizações em Bangcoc da Aliança do Povo para a Democracia, conhecidos por "camisas amarelas", que exigem do governo tailandês maior dureza com o Camboja pela disputa territorial.

Um dos chefes, o ex-general Chamlong Srimuang, classificou o confronto como um ato de agressão à soberania da Tailândia e o acusou de responsável ao executivo de Bangcoc por não ter feito caso das demandas do grupo. A pressão sobre o governo tailandês aumentou depois que no início da semana um tribunal cambojano condenasse a oito e seis anos de prisão dois ativistas da Frente Patriótica Tailandês, acusados de espionagem após terem cruzado ilegalmente a fronteira em outra zona em disputa em 29 de dezembro.

Histórico

Camboja e Tailândia arrastam o conflito de fronteira desde julho de 2008, quando a Unesco reconheceu o templo khmer do século 11 como Patrimônio da Humanidade cambojano. A Tailândia admite que o templo está no território cambojano, como sentenciou a corte internacional de Haia em 1962, mas reivindica uma área de 6,4 quilômetros quadrados situada nos arredores.

Os dois países assinaram em 2000 um memorando de entendimento para criar uma comissão bilateral encarregada de delimitar a fronteira.

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