Camboja denuncia invasão territorial da Tailândia perante Conselho da ONU

Phnom Penh, 20 jul (EFE).- O Camboja enviou hoje uma queixa formal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas pela invasão de seu território por parte da Tailândia, em uma área fronteiriça onde ambos os países disputam a soberania de um templo milenar.

EFE |

A queixa foi revelada pelo ministro da Informação cambojano, Khieu Kanharith. Por sua parte, o Governo da Tailândia anunciou que estudará a denúncia antes de decidir como responder perante a ONU.

O conflito foi suscitado por três manifestantes tailandeses, que cruzaram a fronteira no início da semana para reivindicar a soberania do complexo religioso de Preah Vihear, recém declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Os ativistas foram expulsos imediatamente por soldados cambojanos, o que motivou o envio de tropas ao local por parte de ambos os Governos.

A Tailândia mandou cerca de 500 soldados a uma encosta montanhosa próxima às ruínas, enquanto o Camboja reforçou seu contingente de mil soldados com policiais antidistúrbios preparados para dissolver qualquer protesto de nacionalistas tailandeses que cruzem a fronteira.

O primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej afirma que a escalada da presença militar cambojana deteriorou a situação, e pediu que o assunto seja resolvido por meio do diálogo.

Seu homólogo cambojano, Hun Sen, exige a retirada imediata dos soldados tailandeses e denuncia que entraram ilegalmente em solo cambojano.

Altos funcionários de ambos os países devem se encontrar na próxima segunda-feira para solucionar a disputa, que suscitou o temor de que se repita a violência ocorrida em 2003.

Naquela ocasião, milhares de cambojanos atacaram e incendiaram a Embaixada da Tailândia e sedes de empresas tailandesas depois que o Governo cambojano se sentiu ofendido por comentários publicados na imprensa tailandesa sobre o templo de Angkor Watt, um símbolo do Camboja e que faz parte da insígnia nacional.

Tailândia e Camboja lutam há décadas pela soberania do templo do reino khmer, que data do século XI e há duas semanas foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, apesar dos protestos de Bangcoc.

Em 1962, a Corte Internacional de Justiça de Haia determinou que o terreno sobre o qual fica o recinto religioso do antigo reino khmer pertence ao Camboja, mas a Tailândia se recusa a aceitar essa sentença. EFE fmg/gs

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