Camboja abre cúpula de países pobres defendendo livre-comércio

Phnom Penh, 19 nov (EFE).- O primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen, abriu hoje uma conferência dos países menos desenvolvidos do mundo defendendo o livre-comércio e o relançamento da Rodada de Doha no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

EFE |

"Estes são tempos difíceis para os países menos desenvolvidos", afirmou Hun Sen, que disse que a crise financeira internacional afeta o investimento estrangeiro direto e as exportações das nações mais pobres.

O primeiro-ministro cambojano destacou que a solução para a crise passa por aprofundar a liberalização do comércio mundial e o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU.

Além disso, Hun Sen diz que para resolver a crise, os países menos desenvolvidos devem manter um clima de negócios transparente, estável e simples capaz de atrair investimentos.

"Temos que nos esforçar para tornar nossas economias mais competitivas na arena internacional. Devemos adotar políticas e regulações comerciais feitas para expandir nossas principais exportações", destacou Hun Sen.

"Acredito firmemente que os países menos desenvolvidos devem enviar uma mensagem mais clara à comunidade internacional, especialmente aos países-chave nas negociações da OMC, para assegurar que o resultado das negociações cumpra o princípio de um comércio livre e justo", acrescentou o primeiro-ministro cambojano.

Delegações de mais de 40 nações e os diretores-gerais da OMC, Pascal Lamy, e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), Kandeh Yumkella, além de representantes de outras agências da ONU participam da reunião realizada em Siem Reap, a 250 quilômetros a noroeste de Phnom Penh, a capital do Camboja.

A conferência ministerial, que termina amanhã, se centrará na aplicação do conjunto de medidas do programa Ajuda ao Comércio (AfT, em inglês), explicou à Agência Efe o porta-voz da Unido no Camboja, Arnold Marseille.

O AfT, aprovado na conferência realizada pela OMC em Hong Kong em 2005, estabelece a necessidade de aumentar o apoio aos países menos desenvolvidos para aplicarem reformas estruturais e melhorarem suas infra-estruturas de comercialização.

Outro assunto que será tratado em Siem Reap será a forma de estimular e diversificar a produção industrial, abordando setores-chave para estes países, como agricultura e manufaturas baseadas em mão-de-obra.

A cooperação Sul-Sul para a redução da pobreza também terá seu espaço na conferência, a segunda que os países menos desenvolvidos do mundo dedicam a sua inserção no comércio internacional após o primeiro encontro, realizado em Viena, em novembro de 2007.

Por ordem alfabética, os países mais pobres do mundo são Afeganistão, Angola, Bangladesh, Benin, Butão, Burkina Fasso, Burundi, Cabo Verde, Camboja, República Centro-Africana, Chade, Comores, Congo, Eritréia, Etiópia, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Haiti, Ilhas Salomão, Kiribati, Laos, Lesoto, Libéria, Madagascar, Malauí, Maldivas, Mali, Mauritânia, Moçambique, Mianmar, Nepal, Níger, Ruanda, Samoa, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Timor-Leste, Tanzânia, Togo, Tuvalu, Uganda, Vanuatu, Iêmen, Djibuti e Zâmbia, segundo dados da ONU. EFE jcp/wr/jp

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