Câmaras térmicas e controles de fronteira para gripe suína são inúteis (OMS)

Os controles sanitários nas fronteiras e, particularmente, a utilização de câmaras térmicas nos aeroportos não servem para detectar passageiros provavelmente contaminados com o vírus da gripe aviária, advertiu nesta terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

AFP |

As câmaras térmicas, que teoricamente detectam os passageiros com febre, se multiplicaram nos aeroportos, principalmente na Ásia, na época da crise da pneumonia atípica, a Sars, em 2003.

"Se uma pessoa foi exposta ao vírus ou foi contaminada, esta pessoa pode não apresentar sintoma algum no aeroporto", assinalou Gregory Hartl, porta-voz da OMS.

"Os controles nas fronteiras também não funcionam", enfatizou.

"A vigilância da febre (por câmaras térmicas) não detecta as pessoas que ainda estão em fase de incubação da doença", explicou.

Os estudos realizados desde a crise de Sars mostraram que os controles nas fronteiras não têm muita utilidade no combate à propagação de um vírus, indicou.

"A Sars nos ensinou muito", ressaltou.

Além disso, segundo um estudo divulgado em agosto passado na revista norte-americana "Emerging infectious diseases", os sistemas de detecção da temperatura por câmara térmicas não são confiáveis.

De acordo com esse estudo, o valor de predição das câmaras é de 99% quando o resultado é negativo, e de apenas 10% quando é positivo. Ou seja, de cada 100 pessoas que têm febre, com base na checagem da câmara, somente dez têm realmente temperatura alta.

"O que fazer com todos esses pacientes que registram resultados positivos em um aeroporto ou em um hospital?", perguntou Pierre Hausfater, do hospital La Pitié-Salpétrière de Paris, que realizou o estudo. Ele também mencionou os custos para o atendimento aos "pacientes, que no final não têm nada".

Na segunda-feira, o número dois da OMS, Keiji Fukuda, considerou que nenhuma região do mundo estava a salvo do vírus da gripe suína.

"Em uma época em que as pessoas viajam de avião por todo o mundo, não há qualquer região onde o vírus não possa se expandir", destacou Fukuda durante uma teleconferência da sede da OMS, em Genebra. "O vírus já se propagou", acrescentou.

hmn/dm

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