Câmara volta a adiar votação sobre referendo na Colômbia

Bogotá - A Câmara de Representantes adiou hoje pela segunda vez a votação do referendo sobre a possibilidade de o presidente colombiano, Álvaro Uribe, se candidatar a um terceiro mandato em 2010.

EFE |

A votação da iniciativa será abordada novamente na próxima terça-feira, dia 1º de setembro, em uma nova sessão da Câmara. Caso aprovado, o referendo deverá receber o aval também da Corte Constitucional.

"Viremos ao plenário quantos dias e noites for preciso, aprovar o referendo é só uma questão de tempo", disse o representante do Partido Social de Unidade, Roy Barreras, aliado de Uribe.

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Presidente Álvaro Uribe estuda se reeleger

Ao contrário da sessão de terça-feira, os deputados agilizaram o processo para determinar se cada um dos congressistas estava habilitado para votar o projeto, já que a maioria deles é investigada pela Suprema Corte.

No entanto, a sessão não conseguiu estudar todos os casos e a votação ficou para a próxima terça-feira.

A sessão chegou a ficar sem luz durante um bom tempo, já que um blecaute atingiu a região onde fica a sede do Congresso.

Da mesma forma que em dias anteriores, o bloco uribista assegurou ter os votos necessários para levar adiante o referendo.

Um dos mais otimistas é o ex-comissário de paz Luis Carlos Restrepo, que agora é o presidente do Partido Social de Unidade.

"Não tenho dúvidas de que o projeto sairá bem-sucedido do Congresso", assegurou Restrepo no segundo dia de sessões da Câmara de Representantes.

O conservador Efraín Cepeda afirmou também que as contas feitas dentro do partido asseguram que o referendo tem os votos necessários para ser aprovado.

Opositores ao referendo como Jorge Rozo assinalam, porém, que esse projeto, pelo contrário, não reúne "os votos suficientes".

Cerca de 20 parlamentares do Partido Conservador ameaçaram votar contra o referendo, depois de a legenda ter cancelado a consulta interna para escolher candidato próprio para as eleições de 2010.

Os conservadores, que fazem parte da coalizão oficial, cancelaram a consulta interna à espera de uma definição sobre o referendo.

O presidente da Câmara, Edgar Gómez, assinalou que se buscará agilizar as discussões sobre os congressistas investigados pelo Supremo e assim realizar de maneira rápida a votação do referendo.

A existência de supostas compensações e pressões do Governo sobre os deputados para que votem a favor do referendo foi denunciada nos últimos dias por vários políticos, inclusive por alguns que se declaram seguidores de Uribe, mas não apóiam o terceiro mandato.

Na semana passada, o Senado aprovou o referendo sobre a reeleição em meio à retirada do esquerdista Pólo Democrático Alternativo (PDA) e do Partido Liberal (PL).

De todos os modos, se a Câmara, em sua próxima sessão, aprovar o texto do referendo, a iniciativa fica para o exame da Corte Constitucional, que o submeterá a um estudo para verificar se está de acordo com o que diz a Carta Magna.

A corte terá, então, entre 60 e 90 dias para entregar sua posição e, caso aprove, o Governo deverá fazer um decreto que permita a consulta.

Uribe chegou ao poder ao vencer as eleições em 2002 e, já no Governo, impulsionou uma reforma constitucional para permitir a reeleição, o que conseguiu em 2006.

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