Câmara dos Representantes dos EUA descarta investigação sobre Pelosi

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos rejeitou nesta quinta-feira proposta apresentada por deputados republicanos para criar uma comissão de investigação para apurar a posição da presidente da Casa, Nancy Pelosi, em relação à tortura. .

AFP |

Pelosi, importante aliada do presidente Barack Obama, foi acusada na semana passada pela oposição republicana de saber desde 2002 das técnicas de interrogatório utilizadas contra os suspeitos de terrorismo e de não ter protestado, num momento em que integrava a comissão de inteligência da Câmara dos Representantes. Ela teria recebido informações diretamente da CIA sobre técnicas de interrogatório, em 2002 e 2003.

Duzentos e cinquenta e dois representantes votaram contra a resolução, e 172 votaram a favor. Pelosi não estava presente na hora.

"Trata-se de uma manobra política, de uma tentativa dos republicanos de desviar a atenção do verdadeiro problema, que é criar empregos e avançar nos setores do seguro-saúde, da energia e da educação", afirmou nesta quinta-feira Drew Hammill, porta-voz de Pelosi.

Nancy Pelosi havia acusado o governo de George Bush de ter enganado o Congresso sobre o uso da tortura, defendendo-se das acusações de cumplicidade na utilização dessas técnicas de interrogatório.

"O governo induziu o Congresso a cometer erros em cada etapa. Essa é a verdadeira questão", havia declarado Pelosi à imprensa, exigindo a criação de uma "comissão da verdade" para que esse período fosse esclarecido.

Mais cedo nesta quinta-feira, o líder da bancada republicana na Câmara dos Representantes, John Boehner, declarou durante uma coletiva: "Não temos outra escolha a não ser pedir uma investigação envolvendo membros dos dois partidos". Segundo Boehner, as afirmações de Pelosi "segundo as quais a CIA mentiu e enganou constantemente o Congresso constituem uma acusação grave".

"A presidente teve uma semana inteira para fornecer as provas de suas acusações", lembrou o líder republicano.

Pelosi admitiu ter sido informada pela CIA em setembro de 2002 da existência de técnicas de interrogatório mais duras, como a simulação de afogamento. Ela alegou, porém, que os serviços secretos lhe explicaram que os conselheiros jurídicos do então presidente George W. Bush tinham concluído que estes métodos eram legais.

A CIA admitiu o uso de técnicas de tortura durante uma reunião parlamentar em fevereiro de 2003, disse Pelosi na semana passada, admitindo não ter assinado uma carta de protesto contra a CIA escrita por um colega democrata.

"Isto não me torna cúmplice", declarou Pelosi, ao considerar "que nenhuma carta ou outra coisa os teria impedido de fazer o que faziam".

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