Câmara dos EUA se prepara para votar reforma da Saúde

Em um indicativo de que o projeto de reforma do sistema de saúde proposto pelo governo do presidente Barack Obama deverá obter os votos necessários para sua aprovação, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, no início da noite deste domingo, as regras para a votação final do projeto. A definição das regras foi aprovada com 224 votos a favor e 206 contra - placar que, se reproduzido na votação final do projeto, garantiria o mínimo de 216 votos para sua aprovação.

BBC Brasil |

Logo após a aprovação dessas regras, a Câmara iniciou duas horas de debates (uma para o Partido Democrata e uma para o Partido Republicano) sobre o projeto, que deverá ser votado ainda na noite deste domingo.

A reforma do sistema de saúde é a principal bandeira da política doméstica do presidente Barack Obama e, se aprovada, deverá beneficiar 32 milhões de americanos que atualmente não têm cobertura de saúde.

Depois de dias de suspense e de intensas negociações para obter apoio de indecisos, que tiveram a ajuda do próprio presidente Obama, os líderes democratas parecem ter conseguido garantir e até mesmo superar o mínimo de 216 votos necessários para aprovar o projeto.

Aborto
Alguns democratas indecisos foram conquistados na tarde deste domingo, depois que a Casa Branca anunciou que, logo após a aprovação da proposta, o presidente Obama irá emitir uma ordem executiva garantindo que verbas federais não poderão ser usadas para abortos.

AFP

Congressista Bart Stupak durante coletiva de imprensa em que apresentou
a carta enviada pelo presidente Barack Obama afirmando que não destinará
fundos federais para aborto



Muitos democratas se opunham ao projeto por temor de que dinheiro federal acabasse financiando abortos. Depois do acordo anunciado pela Casa Branca e por líderes do partido, esses parlamentares garantiram seu apoio à reforma.

A aprovação das regras da votação ocorreu depois de mais de cinco horas de intensos debates na Câmara.

Os republicanos são contra o projeto e afirmam, entre outras críticas, que a reforma vai aumentar o tamanho do Estado e dar ao governo um controle excessivo sobre o sistema de saúde.

Centenas de manifestantes contrários à reforma acompanham a votação deste domingo do lado de fora do Capitólio.

Votação
Após as duas horas de debates na noite deste domingo, a Câmara vai votar dois projetos. Primeiro, irá à votação a proposta de reforma da saúde aprovada em dezembro do ano passado pelo Senado. Caso seja aprovado, esse projeto será enviado ao presidente para sanção.

No entanto, como muitos deputados democratas são contra essa proposta aprovada pelo Senado, logo após essa primeira votação a Câmara irá votar um pacote de medidas de ajuste nesse projeto.

Se for aprovado pela Câmara, o pacote de mudanças deverá ser submetido a votação no Senado, em um procedimento chamado de reconciliação, que permite sua aprovação por maioria simples de 51 votos.

A aprovação da reforma da saúde é vista por analistas como o momento decisivo do governo de Obama. Uma eventual derrota do projeto, dizem analistas, poderá ter impacto direto nos índices de aprovação do presidente.

Além de ampliar o número de americanos cobertos, a reforma pretende tornar a assistência médica mais barata e impor regras mais rígidas às seguradoras.

Na semana passada, a Comissão de Orçamento do Congresso divulgou a estimativa de que a reforma da saúde vai custar US$ 940 bilhões em dez anos, mas deverá reduzir o déficit do país em US$ 138 bilhões no período.

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