Câmara dos EUA aprova reforma da saúde

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou neste sábado à noite, hora local, a proposta de reforma do sistema de saúde, uma das prioridades da política doméstica do presidente Barack Obama, apesar da forte oposição. Com vitória apertada - 220 votos a favor e 215 contra - a proposta pretende ampliar o seguro de saúde a 36 milhões de pessoas e garantir uma cobertura acessível a 96% dos americanos.

BBC Brasil |

O Senado agora tem que votar sua própria versão da lei. Depois disso, uma comissão formada por parlamentares das duas Casas deve trabalhar em uma versão conjunta. Caso essa versão seja então aprovada pelas duas Casas, será enviada ao presidente Obama para ser sancionada.

O presidente descreveu a votação de sábado como "histórica", afirmando que está "absolutamente confiante" de que o Senado também vai aprovar a lei.

Se for aprovada, a reforma poderá levar às maiores mudanças no sistema de saúde americano em décadas.

Concessões
A proposta de lei contou com o apoio de 219 democratas e um republicano - Joseph Cao, de Nova Orleans. Cento e setenta e seis republicanos e 39 democratas votaram contra.

O debate despertou fortes reações dos dois lados.

O representante John Dingell, do Partido Democrata, disse que "(a proposta) oferece a todo mundo, independentemente da saúde ou renda, a paz de espírito que vem de saber que eles terão um seguro de saúde acessível quando precisarem".

Mas a representante republicana Candice Miller afirmou que "nós vamos ter uma tomada completa de nosso sistema de saúde pelo governo, mais rápido do que você possa dizer 'isso está me fazendo mal'".

Antes da votação de sábado, o presidente Barack Obama fez uma rara visita ao Congresso, para tentar convencer alguns indecisos em seu próprio partido a apoiar a reforma.

Obama disse que oportunidades como esta surgem "talvez, uma vez a cada geração".

Depois da votação, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, agradeceu o presidente "por sua tremenda liderança", afirmando que sem Obama na Casa Branca, "essa vitória não teria sido possível".

A proposta de lei vai permitir ao governo vender seguro de saúde, em concorrência com empresas privadas, e vai obrigar as companhias de seguro a oferecer cobertura para doenças pré-existentes.

Mas o programa de saúde do governo - chamado "opção pública" - passou por emenda para ser aprovado e não inclui mais cobertura para abortos, a não ser em casos de estupro, incesto ou risco de vida da mãe. Os planos privados vão continuar a oferecer o procedimento.

Grupos de apoio aos direitos de aborto disseram que a emenda foi um dos piores golpes para sua causa em décadas.

Espera-se que o Senado inicie o debate sobre a reforma já nos próximos dias. Obama afirmou que pretende assinar a lei de reforma até o fim do ano.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG