Câmara dos Deputados aprova entrada da Venezuela no Mercosul

Brasília, 18 dez (EFE).- A Câmara dos Deputados brasileira aprovou a entrada da Venezuela no Mercosul, que agora depende de uma nova votação do Senado, onde o projeto encontra mais resistências, informaram hoje fontes oficiais.

EFE |

O protocolo de adesão da Venezuela ao bloco fundado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai foi discutido durante uma sessão que durou até a madrugada de hoje e acabou sendo aprovado com 265 votos a favor, 61 contra e seis abstenções.

A entrada da Venezuela no Mercosul como membro pleno foi estipulado pelos Governos do bloco em julho de 2006, mas, até agora, só foi ratificado pelos Congressos da Argentina e do Uruguai.

As demoras causaram atritos diplomáticos entre Brasil e Venezuela, e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, chegou a acusar o Senado brasileiro de adiar o trâmite por "instruções de Washington".

No Senado, onde a entrada deverá ser debatida novamente, a oposição e o Governo têm forças equilibradas, por isso a aprovação pode encontrar obstáculos maiores.

Durante o debate na Câmara dos Deputados, os partidos da oposição reiteraram suas críticas a Chávez e votaram contra a entrada da Venezuela no Mercosul, com a alegação de que, nesse país, não há garantia das liberdades democráticas.

O deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), disse que "o Mercosul não pode aceitar a Venezuela enquanto Chávez estiver no Governo", pois "impedirá o avanço do bloco e imporá uma agenda ideológica".

A adesão da Venezuela foi defendida pelo deputado José Genoíno (PT-SP), que considerou que atrasar o trâmite só atentará contra o desenvolvimento do Mercosul e do próprio processo de integração sul-americana.

Genoíno lembrou que, com a entrada da Venezuela, o Mercosul passará a estar constituído por mais de 250 milhões de habitantes, com uma superfície de 12,7 milhões de quilômetros quadrados e um volume de comércio de cerca de US$ 300 bilhões.

A Câmara dos Deputados enviará agora o projeto aprovado ao Senado, que deverá estabelecer uma data para a discussão, que só deve ser colocada após fevereiro, devido a um recesso parlamentar que começará na próxima semana. EFE ed/an

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