Macarena Vidal. Washington, 21 mar (EFE).- A Câmara de Representantes (Deputados) aprovou neste domingo a reforma do sistema de saúde nos Estados Unidos, que representa um triunfo histórico do presidente Barack Obama e da maioria democrata no Congresso.

O voto decisivo aconteceu exatamente às 22h49 hora local (0h49 de segunda-feira em Brasília), quando os congressistas aprovaram por 219 votos a favor - três mais dos 216 necessários - e 212 contra o projeto de lei que já tinha recebido o sinal verde do Senado em dezembro.

A medida, um objetivo que vários presidentes tentavam alcançar há um século, só requer agora a assinatura de Obama para se transformar em lei, algo que a Casa Branca indicou que não ocorrerá antes de terça-feira pelo menos.

Meia hora mais tarde, os congressistas aprovaram a segunda parte da reforma, um projeto de lei que introduz uma série de emendas à reforma para torná-la mais ao gosto da Câmara Baixa.

Esta segunda parte passa agora ao Senado, que deve vê-la esta semana e poderia votá-la na sexta-feira ou no sábado, sem que a princípio se prevejam obstáculos insolúveis para sua aprovação.

Nenhum dos 178 congressistas republicanos votou a favor da medida. Mais de 30 democratas se somaram a seu "não".

"A medida foi aprovada", anunciou uma exultante presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, enquanto os congressistas democratas irrompiam em aplausos.

Na Sala Roosevelt da Casa Branca, Obama acompanhava a votação junto a 40 funcionários, e começou a aplaudir enquanto seu chefe de Gabinete, Rahm Emanuel, se abraçava ao assessor político David Axelrod.

Em declaração na Sala Leste da Casa Branca, o presidente americano, que ao longo desta semana manteve mais de 90 conversas por telefone e tête-à-tête com congressistas para atrair seu "sim", assegurou que o voto desta noite "responde aos sonhos de muitos".

Hoje, acrescentou, "nos elevamos acima da política... E demonstramos que somos capazes de fazer grandes coisas", disse o presidente americano, que em uma alusão a seu lema de campanha assegurou que "assim é como a mudança parece".

A reforma da saúde tinha sido ao longo do último ano sua grande prioridade legislativa.

O presidente americano, que antes de sua declaração tinha ligado para Pelosi para felicitá-la, assegurou que "esta noite respondemos ao chamado da História". "Não retiramos nossas responsabilidades, as abraçamos. Não nos acovardamos perante o futuro, lhe damos forma".

Entre as duas votações, os congressistas tinham rejeitado uma moção de procedimento apresentada a última hora pela oposição republicana, que introduzia uma emenda sobre o aborto, um dos assuntos que mais tinham complicado os líderes da maioria democrata em conseguir os votos necessários para a aprovação.

Os democratas não asseguraram os votos necessários para aprovar a reforma até que o líder de um grupo de meia dúzia de congressistas antiaborto que se opunham à medida, Bart Stupak, anunciou que tinha chegado a um acordo de última hora com a Casa Branca e os líderes de seu partido.

Stupak reivindicava garantias de que a reforma não permitiria o uso de fundos federais para a prática de abortos.

Este congressista se levantou para defender a medida e pedir o "não" à emenda republicana contra o aborto, uma iniciativa que lhe valeu um grito de "assassino de bebês" proferida por um dos legisladores presentes na sala.

Mediante o acordo forjado, Obama, emitirá uma ordem executiva que deixará claro que não se poderão usar esses fundos para as interrupções voluntárias da gravidez, salvo casos extremos.

A medida procura dar cobertura de saúde a cerca de 30 milhões de americanos que atualmente carecem dela.

Entre outros aspectos, a reforma proibirá às seguradoras rejeitar dar cobertura a pessoas que já sofrem de alguma doença e tornará obrigatório para a maioria da população contar com um seguro médico.

EFE mv/ma

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