Câmara colombiana rejeita reeleição de Uribe em 2010

BOGOTÁ - O presidente colombiano, Álvaro Uribe, não poderá concorrer à reeleição em 2010, de acordo com um projeto de lei aprovado nesta quarta-feira pela Câmara lotada.

Reuters |

O projeto também prevê um referendo para saber se o presidente, de perfil conservador e com alta popularidade, poderá concorrer nas eleições de 2014 -- após ficar ao menos quatro anos fora do cargo.

A tentativa de manter Uribe na Presidência é apoiada pelos colombianos, que acreditam que só ele poderá continuar com a dura política de segurança que aumentou a confiança dos investidores e tornou as cidades e as rodovias mais seguras.

O projeto que veta a reeleição imediata agora vai para o Senado, onde alguns dos defensores mais fiéis de Uribe tentarão modificar o texto para abrir uma porta para a reeleição em 2010.

O fracasso na Câmara, no entanto, diminui as chances de que Uribe concorra em 2010. Isso ocorre ao mesmo tempo em que a economia desacelera e que escândalos financeiros abalam o apoio político ao presidente.

O projeto será apreciado pela Justiça após passar pelo Congresso.

Uribe, admirado pelo combate junto com os Estados Unidos contra as guerrilhas do narcotráfico, foi eleito para o segundo mandato em 2006 após a mudança na Constituição que permitiu uma reeleição imediata.

Cerca de 4 milhões de eleitores assinaram petições apoiando um referendo sobre a reeleição. Advogados desses eleitores devem argumentar perante a Corte Constitucional que eles assinaram os documentos para apoiar Uribe na eleição de 2010.

"Um presidente com 70 por cento de popularidade, apoiado por milhões de assinaturas pedindo sua reeleição, não pode ser subestimado", disse o analista político Mauricio Romero, da Universidade Javeriana, em Bogotá.

"O núcleo de seus simpatizantes vai continuar procurando os canais que lhe permitam a reeleição em 2010", acrescentou.

Uribe parecia imbatível em julho, época do resgate da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros 14 importantes reféns que permaneceram seqüestrados durante anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Sua popularidade disparou para mais de 90 por cento. Mas desde então as notícias têm sido ruins para o presidente considerado por Washington como o aliado sul-americano mais próximo.

A crise de crédito em todo o mundo diminuiu os investimentos e enfraqueceu a economia da Colômbia a partir de outubro. Depois, houve o colapso de vários esquemas fraudulentos que sugaram as economias de milhares de famílias trabalhadoras -- parte crucial do eleitorado de Uribe.

Uribe admitiu que estava despreparado para enfrentar o escândalo ao mesmo tempo em que seus aliados no Congresso começaram a hesitar sobre o apoio a uma reeleição imediata. O partido Cambio Radical, que já foi peça-chave da coalizão de Uribe, decidiu apresentar seu próprio candidato na eleição de 2010.

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