Câmara britânica amplia período de detenção para suspeitos de terrorismo

Londres, 11 jun (EFE).- A Câmara britânica dos Comuns aprovou hoje a ampliação de 28 para 42 dias do prazo legal de detenção de suspeitos de terrorismo, o que representou um alívio para o primeiro-ministro Gordon Brown, naquela que poderia ter sido sua primeira derrota parlamentar.

EFE |

Um total de 315 deputados, incluindo nove do DUP norte-irlandês, votaram a favor da iniciativa governamental, enquanto 306 foram contrários - entre eles 37 do governante Partido Trabalhista - dentre os 646 membros que tem a Câmara Baixa.

Esta vitória dá um alívio a Gordon Brown, cuja liderança passa por dificuldades após várias decisões impopulares e maus resultados nas últimas municipais.

No entanto, pode lhe custar caro, já que para reunir o apoio necessário Brown fez numerosas concessões políticas tanto aos deputados do Partido Democrático Unionista (DUP) - cujo respaldo foi vital para o triunfo - como aos do Partido Trabalhista, para os quais ligou pessoalmente.

A proposta do Governo, incluída em uma nova lei antiterrorista, de estender de 28 para 42 dias o prazo de detenção sem acusações de supostos terroristas tinha provocado um grande debate no Reino Unido e temia-se que sua votação desse a Brown sua primeira derrota parlamentar.

Na última hora, o Executivo conseguiu obter apoios suficientes entre seus próprios deputados - até 50 deles tinham ameaçado se rebelar - e de partidos minoritários como o DUP para se impor ao bloco da oposição.

O Partido Conservador e o liberal-democrata rejeitaram uma proposta que consideravam que restringiria as liberdades civis e, inclusive, poderia ter o efeito contrário ao que se propõe se for utilizada como propaganda para recrutar islamitas.

Para assegurar o apoio dos seus partidários, o Governo fez grandes concessões em relação à lei, como garantir salvaguardas parlamentares e judiciais à aplicação do novo prazo de detenção e prometer indenizações aos suspeitos que fossem declarados inocentes.

O Governo argumenta que só em casos "graves e extraordinários" a Polícia necessita mais dias do que os 28 atuais para poder investigar suspeitos de terrorismo antes de apresentar acusações, já que sua maneira de operar, através da internet e de vários países, é cada vez mais sofisticada.

Como exemplo, assegurou que a Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres ) esteve a ponto de ficar sem tempo para investigar os suspeitos de planejar atentados em agosto de 2006, com explosivos líquidos, contra aviões transatlânticos.

No entanto, o grupo defensor dos direitos civis Liberty declara que as provas para acusar vários suspeitos desse complô foram obtidas em um período de entre 4 e 12 dias.

De todo modo, apoiavam a proposta governamental, entre outros, a Scotland Yard, os responsáveis policiais pela luta contra o terrorismo e antigos integrantes do serviço de espionagem MI6.

Por outro lado, o atual chefe do MI5, Jonathan Evans, tinha se distanciado publicamente da iniciativa, enquanto expressavam sua oposição o diretor da Promotoria Pública, Ken McDonald, o antigo procurador-geral do Estado Peter Goldsmith e as ONG defensoras dos direitos humanos, como Anistia Internacional ou Liberty.

Paralelamente, uma enquete publicada no jornal "The Daily Telegraph" afirmava que 69% dos britânicos eram a favor da extensão do prazo de detenção.

Apesar da vitória de hoje, Brown ainda não pode dar por encerrado este assunto, que deverá ser votado também na Câmara dos Lordes. EFE jm/bm/plc

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