Câmara aprova resolução para evitar julgamento de Berlusconi

De acordo com parlamentares italianos, caso 'Ruby' deve passar a ser julgado por tribunal de ministros e não pelo Poder Judiciário

iG São Paulo |

A Câmara dos Deputados da Itália, dominada pela maioria de direita, aprovou nesta terça-feira uma resolução para evitar que o premiê italiano, Silvio Berlusconi, seja julgado pelo tribunal de Milão, norte do país, por prostituição de menor e abuso de poder e pedir que o caso "Ruby" passe ao tribunal de ministros.

Por 314 votos a favor e 302 contra, a Câmara aprovou uma declaração de que existe um "conflito de atribuições" entre o Parlamento e o Poder Judiciário no âmbito do processo contra o primeiro-ministro por concussão e prostituição de menores.

O texto afirma que a Procuradoria de Milão não respeitou a resolução votada em 3 de fevereiro pela Câmara, que dizia que o órgão não era competente para cuidar das investigações sobre o chamado caso "Ruby". O documento aprovado nesta terça-feira afirma que, mesmo após a resolução de fevereiro, a juíza de investigações preliminares de Milão, Cristina Di Censo, acolheu o pedido de julgamento imediato do premiê e fixou para 6 de abril a data da audiência.

Berlusconi, 74 anos, é acusado de ter pagado pelos serviços sexuais de Ruby (apelido da marroquina Karima el Mahrung) quando ela tinha 17 anos e de ter atuado junto à polícia de Milão para obter a libertação da jovem, depois de ela ter sido detida por roubo em 27 de maio.

Audiência

A resolução votada pelos deputados pede à Corte Constitucional o fim da controvérsia judicial, mas não evita o início automático do julgamento. Durante a primeira audiência, os juízes deverão decidir sobre a suspensão ou não do processo, à espera de uma resposta definitiva da Corte Constitucional. 

Os deputados opositores criticaram a votação realizada nesta terça-feira. Para o líder do partido Itália dos Valores (IDV) na Comissão de Justiça da Câmara, Federico Palomba, foi "uma vergonha ver os ministros presentes" na votação para "salvar o premiê de suas brigas com a Justiça".
Já o deputado Fabio Granata, do Futuro e Liberdade para a Itália (FLI), disse que "o Parlamento é um refém dos problemas judiciários do premiê".

Nesta terça-feira, Berlusconi havia dito que há uma perseguição contra ele, após a divulgação, por parte da imprensa italiana, de interceptações telefônicas que integram as investigações da Procuradoria de Milão.

*Com AFP e Ansa

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