Por Michael Perry SYDNEY (Reuters) - A onda de calor que vem provocando transtornos no sul da Austrália é um sinal das mudanças climáticas globais, disse na quinta-feira o ministro encarregado do tema.

O Departamento de Meteorologia prevê seis dias consecutivos com termômetros ultrapassando os 40 graus Celsius no sul da Austrália, o que seria a maior onda de calor em cem anos. O calor provoca atrasos no sistema ferroviário, e mais de 10 mil casas estão sem energia.

O ministro da Mudança Climática, Penny Wong, disse que os cientistas já vinham alertando para esse tipo de onda de calor, que começou na quarta-feira.

"Onze dos anos mais quentes da nossa história ocorreram nos últimos 12, e também notamos, particularmente no sul da Austrália, que estamos vendo menos chuvas", disse Wong a jornalistas.

"Tudo isso é consistente com a mudança climática, e tudo isso é consistente com o que os cientistas nos disseram que iria acontecer."

Autoridades sanitárias dos Estados da Austrália do Sul e Vitória aconselharam as pessoas a ficarem em lugares fechados, com ar-condicionado, e a manterem uma boa hidratação.

Mais de 10 mil residências estão sem energia no sul do país devido a problemas causados pelo calor na rede elétrica. Em Melbourne, milhares de pessoas foram afetadas pelo cancelamento dos serviços ferroviários.

A onda de calor obrigou os organizadores do Aberto de Tênis da Austrália a cancelarem todos os jogos ao ar livre. Nos últimos dois dias, a quadra central de Melbourne tem sido coberta.

O país também enfrenta uma seca, e as autoridades proibiram fogueiras no sul, para evitar incêndios florestais. Há pequenos focos nos Estados da Austrália do Sul e Vitória, e todos os parques nacionais foram fechados.

O prefeito de Melbourne, Robert Doyle, disse que os parques e jardins da cidade também estão ameaçados. Ele anunciou um aumento no fornecimento de água a esses locais, a fim de conter a redução de 40 por cento na umidade do solo.

"Há sinais de que nossas preciosas árvores estão sofrendo neste clima brutal," afirmou.

(Reportagem de Michael Perry)

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