Calma volta à cidade de Jos, e Nigéria atenua toque de recolher

Por Kingsley Igwe JOS, Nigéria (Reuters) - As autoridades nigerianas suspenderam parcialmente na quinta-feira o toque de recolher total na cidade de Jos, para permitir que milhares de moradores voltem para suas casas depois dos confrontos entre cristãos e muçulmanos, que deixaram milhares de mortos.

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A forte presença militar e policial ajudou a restaurar a calma na cidade, capital do Estado do Planalto (centro do país), e há quase um dia inteiro não há relatos de violência.

Nesta semana houve quatro dias de confrontos sectários na cidade e seus arredores, com um saldo de mais de 460 mortos.

A Cruz Vermelha estima que 17 mil pessoas tenham se refugiado em faculdades, hospitais e escolas desde o início dos confrontos, no domingo.

"Há muita gente que precisa de roupas, comida e água. A Cruz Vermelha está se concentrando nos feridos e encaminhando alguns para o hospital", disse um porta-voz da entidade, acrescentando que cerca de 990 pessoas foram hospitalizadas.

O governador do Planalto, Johah Jang, suspendeu parcialmente o toque de recolher, agora limitado ao período das 17h às 10h, para que as pessoas possam voltar para casa.

Os incidentes não afetaram a economia da Nigéria, a segunda maior da África Subsaariana. O setor petrolífero está concentrado no sul, e os principais bancos ficam em Lagos, maior cidade do país.

"A maior ênfase é na saúde dos bancos e do presidente, e a renovada violência não deve ter um efeito macroeconômico significativo", disse Richard Segal, analista da Knight Libertas.

A relativa calma permitiu que alguns estabelecimentos comerciais reabrissem e que famílias se reunissem, mas a cidade permanece tensa, com centenas de soldados e policiais patrulhando as ruas.

"Vim apanhar meus filhos que correram para os acampamentos com a minha mãe. Agora que a normalidade está voltando, sinto segurança em vê-los", afirmou Tunde Oyalemi, habitante de Jos.

Funcionários de mesquitas também puderam ir a comunidades próximas para sepultar os mortos. "Estamos nos preparando para enterrá-los agora que a violência parou e temos mão de obra para isso," disse Muhammed Tanko Shittu, dirigente de uma mesquita que organizava um funeral coletivo.

(Reportagem adicional de Carolyn Cohn em Londres)

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