Calma e baixa participação marcam eleições no Congo

Dacar, 12 jul (EFE).- A tranquilidade e a baixa participação nos colégios eleitorais caracterizaram o pleito presidencial realizado hoje na República do Congo, informaram as emissoras regionais captadas em Dacar.

EFE |

Segundo as fontes, até o momento, não houve nenhum incidente nos centros de votação tanto na capital, Brazzaville, quanto no interior do país.

Mais de 2 milhões de eleitores foram convocados a escolher um novo líder entre 13 candidatos, entre eles o atual presidente do país, Denis Sassou-Nguesso, em busca de uma nova vitória que o conceda mais sete anos no poder.

Com mais seis candidatos, Mathias Dzon, o rival mais forte de Sassou-Nguesso, chamou seus simpatizantes a boicotar as eleições, ao considerar que não há as condições de uma votação livre e transparente.

Os partidários do boicote colocam em dúvida a confiabilidade do censo eleitoral, ao considerar "exagerado" o número de 2,2 milhões de eleitores registrados em um país no qual residem 3,6 milhões de habitantes.

No entanto, para os analistas políticos do país, a chamada ao boicote de metade dos adversários de Sassou-Nguesso abre as portas ainda mais para outra ampla vitória do presidente, após 25 anos no poder.

Nas últimas semanas da campanha eleitoral, Sassou-Nguesso disse várias vezes estar convencido de sua vitória contundente no primeiro turno.

Aos 66 anos, Sassou-Nguesso conta com o apoio de cerca de 100 partidos e associações que integram a coalizão denominada Agrupamento da Maioria Presidencial (AMP).

As anteriores eleições presidenciais, realizadas em 2002 e que se saldaram com a vitória de Sassou-Nguesso, com 89,41% dos votos, foram consideradas fraudulentas pela oposição e pelos observadores, assim como o pleito parlamentar de 2007 e o municipal de 2008.

Cerca de 100 observadores internacionais mobilizados pela União Africana (UA), pela Comunidade Econômica dos Estados da África Central (CEEAC) e pela Organização Internacional da Francofonia (OIF) acompanham as eleições.

O presidente do Fórum para o Governo e os Direitos Humanos da República do Congo, Maixent Hanimbat, disse que há risco de atos violentos e falou inclusive da possibilidade do começo de uma "guerra civil" quando saírem os resultados das eleições, informa a "Rede Integrada de Informação Regional" ("Irin"), da ONU.

O temor de novos enfrentamentos continua presente no Congo, país no qual centenas de milhares de pessoas morreram desde sua independência, em 1960, por causa da violência.

A região de Pool vive especialmente em alerta, já que ainda restam grupos rebeldes "Ninjas" na área, uma milícia que não aceitou o desarmamento em 1999.

Nestas circunstâncias, o Conselho Nacional de Segurança determinou a mobilização de 17 mil militares, gendarmes e policiais para garantir a tranquilidade da jornada eleitoral.

Para Hanimbat, os problemas sociais e econômicos serão um fator importante para decidir o voto, devido à precariedade dos serviços oferecidos pelas atuais autoridades, com frequentes cortes de água e energia elétrica, assim como a má qualidade da saúde.

Após o fechamento dos colégios, previsto às 18h (14h de Brasília), começará a apuração dos votos para a proclamação dos resultados.

Se nenhum dos candidatos conseguir 50% dos votos, será convocado um segundo turno entre os dois mais votados. EFE st/an

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