Califórnia digitaliza livro escolar como medida de poupança

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, anunciou um plano para eliminar livros didáticos das escolas, que seriam substituídos por recursos digitais como Facebook, Twitter e Ipods, como forma de economia, num momento em que o Estado enfrenta um enorme déficit fiscal.

AFP |

A medida - chamada Iniciativa de Livros de Textos Digitais - tiraria das classes o que chamou de "obsoletos" textos tradicionais de matemática e ciências para dar lugar a versões online, até o final do ano, disse Schwarzenegger.

"As crianças, como vocês sabem, estão hoje em dia familiarizados com a música digital, além de assistirem à televisão e a filmes online, entrando no Twitter e participando do Facebook", explicou o governador.

"Assim, acredito importante dar um passo à frente em relação aos livros de texto", disse o governador republicano, em palestra para um grupo de alunos de um colégio de Sacramento.

"Estão defasados, na minha opinião, e não há motivo para que as escolas mantenham seus alunos amarrados a estes antiquados, pesados e caros livros de texto", acrescentou Schwarzenegger.

"A Califórnia é sede do Silicon Valley. Somos líderes mundiais de tecnologia e inovação, pelo que devemos ter isto em mente".

A Califórnia é o primeiro estado nos Estados Unidos a apresentar uma iniciativa deste tipo, disse Schwarzenegger, que busca com esta medida reduzir o gasto em vários setores, numa tentativa de superar o déficit orçamentário de 24 bilhões de dólares na Califórnia.

Com o preço médio do livro escolar entre 75 e 100 dólares por aluno, segundo Schwarzenegger, este plano permitiria uma poupança de entre 300 e 400 milhões de dólares.

"Sei que isto é, obviamente, uma mudança muito forte e que haverá certa resistencia en algunos casos", reconheceu o governador dublê de ator de Hollywood.

No rico estado da Califórnia, sede de um importante parque industrial nos Estados Unidos, as medidas mais severas para reduzir o déficit fiscal estão sendo aplicadas no setor educativo, na saúde e no sistema carcerário com o estudo de casos para a eventual libertação de presos que cometeram delitos menores.

No entanto, são mantidos intocáveis os orçamentos milionários para a segurança e corpos policiais dotados de recursos similares aos de um verdadeiro exército em grandes cidades como Los Angeles e San Francisco.

Lembrando que os recursos de California caíram "27% em relação ao ano pasado" por causa da crise econômica e imobiliária, o governador do Estado mais povoado do país explicou que os níveis de arrecadação, agora, estão no mesmo patamar do obtido no final da década de 90".

Em fevereiro, Schwarzenegger e a assembleia legislativa da Califórnia, dominadas pelos democratas acertaram ações para superar o déficit estimado em 42 bilhões de dólares.

"Mas, três meses depois, nos apresentamos com um déficit de 24 bilhões de dólares" devido à deterioração da economia, advertiu Schwarzenegger.

Numa tentativa de aplicar medidas drásticas para melhorar as finanças públicas deste Estado de 37 milhões de habitantes, Schwarzenegger convocou um referendo para o dia 19 de maio passado, quando sofreu um duro revés político - a maioria votou contra o pacote de medidas apresentado.

Das seis iniciativas votadas, a única proposta aprovada (por 75% dos votos) foi a de congelar o salário do governador, dos legisladores e o de funcionários públicos de alto escalão.

As demais medidas, entre elas o aumento dos impostos sobre o consumo, foram rejeitadas por entre 60 e 70% dos eleitores.

A Califórnia, que também abriga a próspera indústria do entretenimento, detém uma das cifras de desemprego mais altas do país, de 11,2%; a média nacional é de 8,5%.

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