Costa do Sauípe (Bahia), 16 dez (EFE).- O presidente do México, Felipe Calderón, disse hoje que o melhor que a América Latina pode fazer para combater a crise financeira internacional é fortalecer a integração regional e aumentar a competitividade, a fim de atrair investimentos produtivos.

"A pergunta que temos que nos fazer em momentos de crise econômica como este é se faz sentido fazer mais esforços para promover a integração regional e a integração da América Latina com outras regiões do mundo. Para o México, a resposta é sim", disse Calderón, em seu discurso hoje como convidado na cúpula do Mercosul.

"Precisamos renovar os processos de integração econômica. A saída para a atual situação não pode ser fechar as fronteiras, mas abrir cada vez mais a capacidade de integração. Uma resposta inadequada é o protecionismo, que terminará estrangulando nossa capacidade econômica", advertiu.

O México, assim como Panamá e Guiana, foi um dos países convidados para a cúpula de hoje na Costa do Sauípe, na Bahia, que reúne os países-membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e Venezuela em processo de adesão) e de seus associados (Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Peru).

Segundo o presidente mexicano, além de aumentar o comércio e gerar emprego, a integração permitirá voltar a acelerar o crescimento econômico em uma conjuntura desfavorável.

Acrescentou que a atual conjuntura não é adequada para rever os processos de integração ou para pensar em impor barreiras.

"Estamos à beira de uma recessão generalizada, e os países em desenvolvimento com baixo nível de capitalização e grandes níveis de pobreza têm que intensificar a capacidade para gerar maior crescimento, o que também está associado à capacidade de investimento que podemos gerar", afirmou Calderón.

Para o líder mexicano, a atração de investimento produtivo é a única possibilidade para a América Latina de manter seu crescimento em taxas positivas, no momento em que os países ricos estão em recessão.

"E, para atrair investimentos, temos que fortalecer as finanças públicas e aumentar a competitividade em nível mundial. A América Latina perdeu competitividade nas duas últimas décadas, precisamente, frente à Ásia", disse.

Calderón acrescentou que a região conseguirá aumentar sua competitividade para atrair investimentos se for capaz de gerar condições de segurança e melhorar sua infra-estrutura de transportes, energia e comunicações.

"A América Latina precisa ganhar mais espaço como destino de investimento, em um ambiente de incerteza mundial que contrairá os investimentos. Precisamos de uma estratégia para apresentar a América Latina como um lugar seguro e propício para investir", afirmou.

Acrescentou que o México, particularmente, pretende aumentar seus investimentos em infra-estrutura de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano para cerca de 5%, o que representa cerca de US$ 50 bilhões.

"Estamos fazendo esforços com os países centro-americanos para oferecer uma conexão geral não só em estradas, mas também em energia. É fundamental que este tipo de ação se multiplique para que a rede de transporte e energia abranja toda a América Latina", especificou. EFE cm/an

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