Madri, 26 ago (EFE).- As duas caixas-pretas do avião MD-82 da companhia Spanair acidentado na quarta-feira passada, em Madri, serão analisadas em Londres para que seus dados sejam recuperados, informou o secretário da Comissão de Investigação de Acidentes de Aviação Civil, Francisco Soto.

Segundo Soto, as caixas-pretas estavam muito danificadas pelo impacto, e serão enviadas à comissão britânica por sua capacidade de recuperar dados nestas situações.

Em seu comparecimento diante da imprensa, Soto forneceu detalhes sobre como o acidente aconteceu e disse que, após decolar, a aeronave atingiu o solo primeiro com a cauda, na zona divisória com a pista, e sua parte traseira se desprendeu.

Depois disso, o avião se deslocou no solo ao longo de 1.200 metros até parar em uma área além das pistas.

Segundo o secretário da comissão, o percurso não foi contínuo, mas em três saltos por causa dos desníveis que a aeronave encontrou em sua passagem.

Os investigadores do acidente não acharam rastros de pneu ou outras marcas do avião na pista 36L, só na faixa adjacente.

"A explosão do combustível em condições como as do acidente é um feito que devemos investigar", afirmou Francisco Soto, que acrescentou que não se pode assegurar que os três desníveis causaram a explosão, mas sim que agravou os danos.

Sobre as peças já recuperadas, ele citou os dois motores e a unidade de propulsão auxiliar, cujo estado é "aparentemente de certa integridade".

Soto acrescentou que o trabalho de campo durará meses, e que todos os restos do avião serão recuperados e protegidos.

Apesar de tudo, o secretário declarou que eles esperam divulgar no prazo de um mês um relatório preliminar sobre o acidente, que conterá informações contrastadas dos fatos.

A comissão enviou hoje seus primeiros relatórios sobre o acidente ao 11º Juizado de Instrução de Madri, onde seu titular, Juan Javier Pérez, continua supervisionando os trabalhos de identificação dos cadáveres e para isso vai várias vezes ao dia até o cemitério madrileno de Almudena.

Ainda restam 47 corpos a serem identificados, segundo os últimos dados divulgados pelas autoridades.

Dos 16 feridos que permanecem internados em diferentes hospitais, dois continuam em estado grave.

Hoje Beatriz Reyes tornou-se a segunda sobrevivente a deixar o hospital, depois que o menino Roberto Álvarez Carretero, de seis anos, recebeu alta ontem.

Reyes, de 41 anos e residente de Las Palmas de Gran Canaria, disse que "voltou a nascer" em 20 de agosto e relatou em entrevista coletiva que não sentiu nada de estranho na decolagem, até que a aeronave "girou a asa" e ela notou um "forte golpe".

Enquanto a investigação continua, a Procuradoria Geral do Estado pediu hoje para que as vítimas e a sociedade em geral tenham "plena confiança na atuação policial e judicial, frente a qualquer conjetura ou especulação".

A Procuradoria se referia à informação divulgada pela televisão argentina "Todo Noticias", que afirmava ter tido acesso à última conversa entre o piloto e o co-piloto.

Outro veículo estrangeiro, o jornal dinamarquês "Ekstra-Bladet", publicou que o MD-82 da Spanair acidentado em Barajas teve problemas técnicos na decolagem no dia 26 de julho. EFE nac/ab/gs

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