O ministro argentino da Economia, Martín Lousteau, renunciou na noite desta quinta-feira, disse à AFP uma fonte do governo em Buenos Aires.

"A presidente (Cristina Kirchner) pediu a renúncia a Lousteau por diferenças sobre a aplicação da política econômica", revelou a fonte.

Lousteau, de 36 anos, foi convocado para conduzir a economia argentina no início do atual governo, em 10 de dezembro passado.

Uma fonte ligada ao governo disse que Lousteau será substituído por Carlos Fernández, atual secretário de arrecadação fiscal (AFIP) e um dos fiéis escudeiros do ex-presidente Néstor Kirchner.

O ex-presidente tinha criticado, durante um comício esta noite, "os economistas e dirigentes que querem esfriar a economia", que acumula um crescimento de 45% em cinco anos.

"Se desaquecem a economia os argentinos não consomem, não comem, e sem consumo, eles podem exportar tudo e ganhar mais, disse Kirchner.

A renúncia do jovem economista ocorre em meio a um duro conflito entre Cristina Kirchner e o setor agropecuário, que resiste a uma alta de tarifas sobre as exportações de soja.

Os líderes agropecuários, que representam cerca de 250 mil produtores, também questionam a política do governo para o trigo e a carne.

No momento, as quatro mais importantes entidades do campo e o governo federal negociam contra o tempo, já que em 2 de maio vence a trégua aprovada há um mês, que acabou com 21 dias de greve do setor agropecuário e o desabastecimento de alimentos.

A greve no setor agropecuário abalou o poder do casal Kirchner, que está sob ameaça de uma nova paralisação a partir de 2 de maio.

A inflação, que segundo alguns institutos já atinge 25% (anual), é outro problema nesta equação envolvendo os agricultores e o abastecimento interno.

dm/LR

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