Por Alister Doyle OSLO (Reuters) - As emissões da União Europeia (UE) dos gases que causam o efeito estufa caíram 1,2 por cento em 2007, paradoxalmente amparadas pelo inverno ameno que reduziu a demanda por aquecimento, apontaram dados da UE na sexta-feira.

As emissões do bloco de 27 países em 2007 -- antes da atual crise econômica global -- caíram para 9,2 por cento abaixo das do ano de 1990, usado como referencial no Protocolo de Kyoto, da Organização das Nações Unidas, para combater o aquecimento global.

Governos da UE prometeram cortar as emissões em 20 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2020 a fim de conter o aquecimento global, e em 30 por cento caso outros países desenvolvidos estabeleçam metas semelhantes.

"Com relação à UE, houve um declínio significativo no uso de óleo e gás, em particular nas residências", de acordo com um relatório sobre dados de 2007 preparados para a Comissão Europeia pela Agência Ambiental Europeia, com base em Copenhague.

O documento informa que o inverno mais quente foi a principal razão pela queda na demanda de petróleo, gás e carvão - a maior fonte de gases-estufa a partir da atividade humana - para o aquecimento de residências e escritórios. Os preços da energia também subiram acentuadamente em 2007.

As emissões provenientes das indústrias também caíram, lideradas por reduções na Itália, na Grã-Bretanha e na Espanha. Mas subiram as emissões provenientes de usinas movidas a combustível fóssil, principalmente em países como Alemanha, Espanha, Grécia e Holanda, informou o documento.

Mais de 190 países concordaram em acertar um novo tratado sobre o clima sob o patrocínio da ONU até o fim de 2009 para combater o aquecimento que, segundo o Painel Climático da ONU, trará mais secas, enchentes, extinções de espécies e aumento no nível dos oceanos.

As emissões totais da UE caíram 59 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2007, em comparação com 2006, para 5,56 bilhões de toneladas, ou 1,2 por cento. Alemanha e Grã-Bretanha, os principais emissores, apresentaram quedas de 2,4 por cento e 1,7 por cento, respectivamente.

Nos 15 países que já eram membros da UE antes da expansão principalmente para a Europa do leste em 2004, as emissões caíram 64 milhões de toneladas, ou 1,6 por cento, para 4,23 bilhões de toneladas em 2007.

As emissões da UE-15 ficaram 5 por cento abaixo dos níveis de 1990 em 2007, num patamar inferior à meta do Protocolo de Kyoto, que estabeleceu uma média de redução nas emissões de 8 por cento abaixo dos níveis de 1990 no período entre 2008 e 2012.

A UE diz liderar a batalha internacional contra a mudança climática. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quer reduzir as emissões dos EUA para os níveis de 1990 até 2020 - as emissões norte-americanas em 2007 foram cerca de 17 por cento acima dos níveis de 1990.

Os EUA são o único país desenvolvido que não ratificou o Protocolo de Kyoto - o ex-presidente George W. Bush rejeitou o pacto por considerá-lo uma restrição econômica que injustamente não previa alvos para os países em desenvolvimento.

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