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Forças de segurança são principais alvos de atentados que aconteceram em Bagdá e outras 11 cidades, deixando 225 feridos

Uma série de ataques deixou ao menos 55 mortos no Iraque nesta quinta-feira, tendo as forças de segurança do país como principal alvo. Os atentados aparentemente coordenados aconteceram durante quatro horas na capital, Bagdá, e em outras 11 cidades, deixando ao menos 225 feridos.

“O que aconteceu hoje não foi apenas uma violação da segurança – foi um enorme fracasso e desastre de segurança”, afirmou Ahmed Al-Tamimi, funcionário do Ministério de Educação, situado a uma quadra de um restaurante alvo de ataque no bairro xiita de Kazimiyah, norte de Bagdá. “Queremos saber: Em que lugar estavam a polícia e os soldados enquanto os terroristas estavam espalhando violência pela cidade?”

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Forças de segurança observam local de explosão em Kirkuk, no Iraque
Reuters
Forças de segurança observam local de explosão em Kirkuk, no Iraque

No ataque que deixou mais vítimas, um carro-bomba foi detonado no distrito comercial de Karradah, deixando nove mortos. Imagens de TV mostraram iraquianos deixando o local coberto em sangue e janelas quebradas em vários prédios.

Na cidade de Musayyib, um carro-bomba estacionado perto de um restaurante e de uma escola de educação infantil explodiu, deixando um morto e 62 feridos, principalmente crianças.

As forças de segurança foram alvos de pelo menos 14 atentados em todo o país, incluindo um ataque a tiros disparados de um carro que matou seis policiais em um posto de controle em Bagdá. Em Baqouba, a 60 km da capital, um homem-bomba detonou explosivos em frente a uma delegacia.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo ataque, mas o governo iraquiano culpou a rede terrorista Al-Qaeda.

Em comunicado, o Ministério do Interior apontou que o grupo "está fazendo grandes esforços para dar a impressão de que a situação de segurança no Iraque não é estável".

Uma autoridade da agência de inteligência do Iraque disse que o ataque parece ter sido planejado por pelo menos um mês.

O funcionário do governo disse acreditar que o objetivo do atentado é assustar diplomatas que planejam participar de uma reunião anual da Liga Árabe, marcada para o mês que em Bagdá. No ano passado, a conferência foi cancelada por causa do medo da violência.

Insurgentes realizam ataques de grande escala no Iraque desde a retirada das tropas americana s, finalizada em dezembro. Pouco depois de os soldados dos EUA deixarem o país, o Iraque mergulhou em uma profunda crise política que aumentou o temor em relação a conflitos sectários no país .

A crise entre xiitas e sunitas foi motivada pela emissão de um mandado de prisão contra o vice-presidente sunita, Tareq al-Hashemi. O governo xiita do primeiro-ministro Nouri al-Maliki acusa Hashemi de ter pago seguranças para assassinar autoridades do governo – o que ele nega.

Com isso, muitos sunitas acusaram Maliki de estar agindo para tirá-los do poder. Pelo sistema de divisão de poderes instituído pelos EUA, o Iraque tem um primeiro-ministro xiita, presidente curdo e presidente do Parlamento sunita.

Com AP

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