Cadê a empolgante batalha da Pensilvânia?

Pittsburgh é a segunda maior cidade do Estado da Pensilvânia e, no dia 22, estará no olho do furacão em que se transformou a disputa entre os senadores Barack Obama e Hillary Clinton pela indicação do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos. Será nesse dia que o Estado realizará sua primária, em que estarão em jogo 188 delegados decisivos para manter vivas as chances de Hillary.

BBC Brasil |

Ao chegarmos à cidade, numa tarde de tempo nublado e temperatura agradável, eu esperava ver cartazes nas ruas. Cabos eleitorais. Vitrines com adesivos. Bandeiras. Os candidatos fazendo corpo-a-corpo. Faixas penduradas nos postes.

Eu tinha a expectativa de ver pelo menos uma ou duas dessas coisas. Mas não vi nada disso.

Almoçamos num restaurante/peixaria pertinho do centro. Entre uma mordida e outra do meu sanduíche de peixe frito, percebi que a TV presa ao teto logo atrás de mim estava ligada e começou a passar uma propaganda de Hillary.

O anúncio mostrava ela falando da necessidade de melhorar o sistema de saúde.

Depois, de carro, passamos pelo centro da cidade - vi algo escrito por alguém numa vitrine, parecia uma pixação em apoio a Hillary.

Mas, no resto do tempo que estive na cidade, era como se Pittsburgh não tivesse nada a ver com a votação do dia 22.

Impressão minha? Carla Andrea Leininger, uma brasileira que vive há 20 anos em Pittsburgh e trabalha com recursos humanos, acha que não.

"Eu ainda não decidi em quem eu vou votar, tenho simpatia pelos dois candidatos. Sou aquela pessoa que poderia ser facilmente influenciada de uma maneira ou outra, mas ninguém está chegando em mim", diz ela.

Carla é um dos membros mais ativos da comunidade brasileira em Pittsburgh - organizou um site para divulgar eventos e unir os brazucas daqui e tem até um programa de rádio para os brasileiros, que vai ao ar todas as sextas-feira.

Ela diz que tem acompanhado pouco a campanha, e que esperava que mais pessoas viessem lhe falar sobre os candidatos e que, assim, a ajudassem a se decidir.

"Eu realmente não sinto que as pessoas tenham conversado muito sobre isso, especialmente dentro da comunidade brasileira, da comunidade latina", explica.

"Acho que numa mesa de bate-papo, com um cafezinho, uma cervejinha... eu poderia me inclinar por um lado ou por outro."
Apesar de quase invisível para viajantes como eu, que passam menos de um dia na cidade, a acirrada disputa entre Hillary e Obama se transformou num espetáculo empolgante para os eleitores de todo o país, e Pittsburgh não é uma exceção.

"Tem sido bastante excitante", reconhece Carla, que diz que admira a experiência de Hillary, mas "se incomoda com o fato de ela ter votado a favor da Guerra do Iraque".

Para Daniela Valdez, uma estudante hispânica que também mora em Pittsburgh e pretende votar em Hillary em novembro, é justamente a experiência e a "profundidade de vida" da ex-primeira-dama americana que a atraem.

"O que eu pediria a ela é que cumpra o que prometeu, principalmente no tocante à saúde, se for eleita", disse.

Hillary Clinton há muito lidera as pesquisas de intenção de voto relativas a esta prévia na Pensilvânia.

As duas mais recentes, realizadas entre os dias 7 e 8, dão a ela vantagem de três pontos percentuais (levantamento do instituto Public Policy Polling) e de dez pontos percentuais (do InsiderAdvantage).

Por outro lado, Marisol Wandiga, outra hispânica que mora em Pittsburgh, promete votar em Obama nas primárias.

Ela explica que em novembro será a terceira vez que irá votar para presidente, e nas vezes anteriores votou em Clinton e em Bush.

O seu voto em Obama é um voto por mudanças, o que a deixa "muito emocionada". "O que queria era que ele fizesse algo na área da imigração."
Pittsburgh tem suas peculiaridades, que os candidatos devem explorar como nunca nas suas campanhas até o dia 22.

Tradicionalmente, a cidade tem sua economia atrelada à indústria pesada, mas hoje o perfil mudou um pouco - empresas dos setores de saúde, educação, financeiro e tecnologia estão instaladas na cidade.

Essa diversificação tem ajudado a frear um pouco os efeitos da desaceleração econômica americana por aqui.

Segundo um artigo publicado no jornal Pittsburgh Tribune-Review, os principais empregadores da região de Pittsburgh são as áreas da educação e saúde, que respondem por 22% das vagas de trabalho.

Pessoas continuam ficando doentes mesmo durante recessões, e muitas pessoas que ficam desempregadas voltam a estudar.

Mesmo assim, a taxa de desemprego em fevereiro na região de Pittsburgh ficou em 4,9%, a maior desde agosto de 2006.

Pode ser um sinal de grandes problemas à vista.

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