Cachorro é intimado a comparecer a Corte indiana por alterar ordem pública

Shilpi Singh Nova Délhi, 31 jul (EFE) - Em um dos casos mais raros na história do Direito, um cachorro acusado de alterar a ordem pública compareceu perante uma Corte da região de Bihar (leste da Índia). Chhotu (pequeno em híndi), um cão doméstico de sete anos, se sentou no banco dos réus em 24 de julho em uma Corte da localidade de Purnea, e seu advogado teve que defender que o animal não era violento e perigoso para os moradores. Mas não é a primeira vez que Chhotu enfrenta a Lei, já que, em 2003, tinha sido condenado à pena de morte, acusado de morder as pessoas e de ser um risco para a sociedade, embora um grupo de ativistas tenha corrido em sua ajuda. A notícia chegou a ativistas de animais, que iniciaram uma investigação sobre o assunto e descobriram que o cachorro nem estava louco nem tinha raiva, disse à Agência Efe o juiz que dirige o caso, Mohammad Shabbir Hassan. Assim como há cinco anos, os vizinhos insistem em acusar o cachorro de ter enlouquecido, embora sua dona, Rajkumari Devi, uma mulher sem filhos que encontrou o animal recém-nascido na rua e decidiu adotá-lo, afirme que o cão apenas ataca os ladrões e bandidos. Um membro das autoridades de Purnea, Rajiv Ranjan, coincidiu com a dona ao assinalar que as acusações são falsas e que o cachorro é muito dócil. Os vizinhos (da dona) estão conspirando contra ela. É viúva e está sozinha.

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E não tem herdeiros. Querem sitiá-la. Estão incomodando ela para que saia dali e deixe sua casa e seus terrenos", assegurou à Efe Ranjan.

Aparentemente, o cachorro entendeu o que se passava na última audiência, já que o juiz encarregado do caso explicou que Chhotu se manteve discreto e "nem ladrou ou latiu", por isso chegou à conclusão de que o cão é "tranqüilo e pacífico" e "nada violento".

"Os vizinhos querem entrar em sua casa à noite para roubar documentos da propriedade. Certamente, o cachorro que vigia a casa toda a noite é um obstáculo", afirmou o magistrado.

Hassan assegurou que tanto o cachorro quanto a dona são vítimas de uma "disputa de propriedades", e anunciou que rejeitará o caso na próxima audiência, prevista para 5 de agosto.

"A dona é uma mulher muito pobre e não pode se permitir seguir com o julgamento porque não pode pagar um advogado", acrescentou.

Os ativistas que lutam pelos direitos dos animais também estão a favor de Chhotu, como Anuradha Sawhney, da organização Pessoas pela Ética no Tratamento dos Animais (PETA), que disse que o caso "é uma perda de tempo para o tribunal".

"É injusto levar um cachorro aos tribunais. Pobre animal. Deve ter ficado tão confuso...", afirmou.

Sawhney destacou que "há assuntos mais importantes" que devem ser levados a julgamento para proteger os direitos dos animais.

"A condição dos animais no zôo de Patna (capital de Bihar) é muito ruim. E, recentemente, descobrimos casos horríveis de brutalidade contra animais nas fazendas. A corte deve se concentrar nestes temas em vez de incomodar uma pobre criatura", defendeu Sawhney. EFE ss/db

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