Aviões estão patrulhando leste do país, palco de bombardeios mesmo após cessar-fogo

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Caça Rafale francês decola da base Saint-Dizier
AFP
Caça Rafale francês decola da base Saint-Dizier
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou neste sábado (19) que aviões franceses já sobrevoam a Líbia para colocar em efeito a zona de exclusão aérea autorizada na quinta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU.

Segundo Sarkozy, caças franceses Rafale sobrevoam a Líbia para realizar uma missão de reconhecimento do território. A aviação francesa tem o objetivo de "impedir ataques aéreos contra a população em Benghazi", no leste do país.

Outros aviões estão "prontos para intervir contra blindados" do exército líbio, disse o presidente francês.

Sarkzoy confirmou as operações militares na Líbia após uma reunião extraordinária em Paris sobre a crise no país africano. O encontro contou com a presença de 22 representantes de governos e de organizações internacionais (ONU, Liga Árabe e União Africana).

O clima de urgência da cúpula foi aumentada após informações de que Benghazi continuou sendo palco de enfrentamentos apesar de um cessar-fogo anunciado pelas forças do regime líbio. Neste sábado, um avião caça chegou a ser abatido e caiu, em chamas, sobre Benghazi.

"Se não houver um cessar-fogo imediato, nossos países recorrerão a meios militares", disse Sarkozy, após o encontro.

O presidente francês afirmou que o líder líbio, Muamar Kadhafi, "desdenhou" o ultimato da comunidade internacional, "intensificando seus ataques assassinos nas últimas horas".

Mas Sarkozy deixou uma porta aberta e afirmou que "ainda é tempo para Kadhafi evitar o pior". Se respeitar a resolução da ONU, indicou o presidente francês, também que "as portas da diplomacia se abrirão quando os ataques cessarem".

Sinal verde
Na quinta-feira, a ONU adotou a resolução 1.973, que instaura uma zona de exclusão aéra na Líbia para proteger os civis de bombardeios e autoriza os Estados membros a tomarem "todas as medidas necessárias" para proteger os civis dos ataques, excluindo a possibilidade de envio de forças de ocupação estrangeiras.

"Nossas forças irão se opor a todas as agressões", disse Sarkozy. "Nossa determinação é total", acrescentou o líder francês.

O presidente francês afirmou que "todos os meios necessários, particularmente militares serão aplicados para garantir o respeito das decisões do Conselho de Segurança da ONU".

O governo líbio anunciou um cessar-fogo na sexta-feira, mas desde o princípio os rebeldes e líderes da comunidade internacional se mostraram reticentes em relação ao anúncio.

Neste sábado, a reportagem de BBC em Benghazi testemunhou a entrada de tanques das forças do coronel Muamar Khadafi entraram na cidade.

Apesar de cessar-fogo, tanques pró-Khadafi entram em Benghazi

Por volta das 9h da manhã do horário local, um avião caça foi atingido, pegou fogo e caiu sobre a cidade em um movimento dramático.

A violência em Benghazi fez com que centenas de carros deixassem a cidade em direção à fronteira com o Egito, ainda mais ao leste do país. Outros tentam fugir a pé.

A agência de refugiados da ONU, Acnur, diz que está se preparando para receber 200 mil pessoas que tentam se afastar dos combates.

'Hora de agir'
Com a popularidade baixíssima nas pesquisas de opinião na França, o presidente Sarkozy, que reconheceu ter minimizado a importância dos levantes populares na Tunísia e no Egito, quis tomar a dianteira na crise líbia.

Analistas creem que o país de Sarkozy deve liderar a operação na Líbia ao lado da Grã-Bretanha.
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Sarkozy e Cameron: Analistas creem que liderança de operação será europeia

Ao fim da reunião em Paris, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, acusou Khadafi de desrespeitar o cessar-fogo anunciado pelo seu governo e pôs sobre líder líbio a responsabilidade pela ação militar europeia.

"O coronel Khadafi fiz isto acontecer, porque mentiu para a comunidade internacional. Ele prometeu um cessar-fogo e quebrou o cessar-fogo. É hora de agir", disse Cameron à BBC.

Ele acrescentou que a necessidade de ação militar é "urgente".

"Temos de pôr em ação o desejo das Nações Unidas. Não podemos permitir que continue o massacre de civis."

A coalizão de forças também pelos Estados Unidos e diversos países europeus e árabes.

Na sexta-feira, o presidente americano, Barack Obama, subiu o tom contra o líder líbio e afirmou que Khadafi deve cessar as hostilidades contra opositores ou "enfrentar consequências".

"Todos os ataques contra civis devem parar. Khadafi deve impedir que suas tropas continuem avançando para Benghazi e retirá-las de Ajdabiyah, Misrata e Zawiya."

"Deixe-me ser muito claro: Esses termos não são negociáveis. Se ele não acatar, a comunidade internacional irá impor conseqüências", afirmou Obama.

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