Cabul ameaça expulsar jornalistas estrangeiros que cobrem as eleições

O governo afegão ameaçou nesta quarta-feira expulsar os jornalistas internacionais e fechar os meios de comunicação locais que não acatarem seu pedido para que não falem de violências nesta quinta-feira durante as eleições presidencial e provinciais.

AFP |

Esta ameaça, no momento em que os talibãs intensificam seus ataques, foi feita apesar de uma série de críticas denunciando a interdição de citar estas violências no dia da votação como tentativa de "censura".

A interdição às notícias de violência, tornada pública nesta terça-feira em comunicado do governo, foi decretada pelo Conselho Nacional de Segurança, que reúne os principais órgãos e administrações encarregadas da segurança, e visa preservar os interesses do país, declarou à AFP o porta-voz do ministério dos Assuntos Estrangeiros, Ahmad Zahir Faqiri.

Esta é a primeira vez que o governo afegão impõe uma interdição deste tipo ao conjunto das mídias desde à volta dos representantes da comunidade internacional ao país no fim de 2001, após a queda do regime dos talibãs.

Segundo Faqiri, as mídias são livres para cobrir as eleições presidencial e provinciais de quinta-feira, mas qualquer informação sobre violências ou ataques está proibida. "Todas as mídias devem respeitar esta decisão", acrescentou.

"E se a interdição não foi respeitada, as mídias locais serão fechadas e os jornalistas internacionais, expulsos", afirmou.

"Em todo país democrático há situações extraordinárias que levam o governo a tomar decisões para preservar os interesses nacionais e a segurança dos cidadãos", lamentou.

Cabul confirmou assim esta interdição apesar da série de críticas que respondeu ao anúncio de terça-feira, entre os quais alguns denunciam uma censura.

O comunicado do governo ordenou às mídias que não difundam informações sobre as violências entre 06H00 (01H30 GMT) e 20H00 (15H30 GMT) de quinta-feira, para permitir uma ampla participação do povo e não intimidá-lo anunciando atos terroristas.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou "uma tentativa de censura da liberdade de imprensa".

A embaixada dos EUA, principal apoio do governo Karzai, publicou um comunicado crítico destacando que a credibilidade "das eleições está ligada a uma cobertura pela mídia".

Esta tentativa trai a determinação do governo afegão contra os ataques dos talibãs que monopolizam a atenção da imprensa, relegando a segunda plano a eleição.

As violências são uma arma de escola para os rebeldes na guerra da comunicação, corolário de uma guerra real, que eles livram ao governo afegão e a seus aliados internacionais há oito anos.

Terça e quarta-feira, dezenas de jornalistas afegãos e internacionais correram para os locais dos ataques assumidos pelos talibãs em Cabul. Os policiais muitas vezes os expulsaram violentamente, ameaçando-os com armas, dedo no gatilho, ou tentando impedi-los a tirar fotos ou filmar.

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