Bush volta aos EUA com apoio britânico como maior ganho de viagem à Europa

Macarena Vidal Londres, 16 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, retorna satisfeito para Washington, após uma viagem pela Europa na qual o mais importante ficou para o fim: o anúncio no Reino Unido de que o Irã sofrerá mais sanções e o Afeganistão receberá mais tropas.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou hoje sanções aos setores energético e petroleiro iranianos, além do congelamento dos ativos no exterior do principal banco do país, o Melli.

Além disso, declarou que pedirá à União Européia (UE) que adote as mesmas medidas e que vai enviar mais 230 soldados ao Afeganistão, o que elevará para cerca de 8.000 o contingente britânico no país.

Em resposta, Bush agradeceu Brown por uma declaração clara, firme e necessária.

O anúncio do premiê britânico foi o compromisso mais palpável obtido por Bush em sua passagem por Eslovênia, Alemanha, Itália, França e Reino Unido, na qual, de maneira geral, predominaram os elogios ao bom estado das relações entre as partes.

Bush viajou com o objetivo de pedir aos seus parceiros europeus que apóiem mais sanções ao programa nuclear iraniano e aumentem sua ajuda econômica e militar ao Afeganistão.

No entanto, até chegar a Londres, Bush quase não ouviu promessas práticas de apoio, a não ser na visita à Alemanha.

A chanceler alemã, Angela Merkel, foi a única que se declarou abertamente a favor de sanções ao Irã. Porém, disse que, pessoalmente, prefere que elas sejam adotadas sob a chancela da ONU, para que sua eficácia aumente.

Mais que anunciar medidas concretas, os aliados europeus, em tom de despedida, fizeram rasgados elogios à excelência das relações transatlânticas.

Em Paris, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, declarou: "É possível que não estejamos de acordo com um ou outro assunto, mas isso não impede que os americanos sejam nossos amigos e aliados.

Sabem que podem contar conosco".

Bush também pôde constatar como os europeus já estão atentos à corrida eleitoral americana.

Na Itália, enquanto o primeiro-ministro Silvio Berlusconi expressou abertamente seu apoio ao candidato republicano John McCain, o papa Bento XVI presenteou o chefe de Estado com quatro livros sobre a Praça de São Pedro, com o comentário de que, em breve, Bush terá tempo para lê-los.

Até os manifestantes deram a impressão de que o presidente americano já não os preocupa tanto. Os violentos protestos que sempre acompanharam as viagens do governante desta vez não foram tão fortes. A passeata convocada em Roma, por exemplo, atraiu poucas centenas de pessoas.

A manifestação de Londres foi a única exceção. Mais de 2.000 pessoas protestaram no primeiro dia do chefe de Estado, 25 das quais acabaram presas.

O próprio Bush, em alguns momentos da viagem, aparentava estar nostálgico. Em entrevista na televisão francesa, repassou seu mandato e declarou que as pessoas dirão que ele "é uma pessoa decidida, que tomou medidas quando era preciso, para proteger seu país e fazer frente aos problemas mundiais".

Não foi por acaso que, ontem à noite, no jantar com Brown, alguns historiadores foram convidados para conversar com o visitante.

Mas Bush deixou claro que, se ele mesmo está disposto a olhar para trás e avaliar seu mandato, não o agrada tanto que outros façam o mesmo.

Na sexta-feira, durante um jantar no Palácio do Eliseu, Sarkozy quis prestar uma homenagem ao seu convidado ao afirmar que, "quando a família Bush olhar para trás, terá toda a razão em se sentir satisfeita".

Bush respondeu: "O senhor acaba de escrever meu obituário político. Lembro que só vou embora em janeiro e que ainda há muito trabalho pela frente que possamos fazer". EFE mv/sc

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