Bush viaja ao Oriente Médio em meio a violência no Líbano

Macarena Vidal Washington - Os problemas do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e a grave situação no Líbano complicaram a viagem a ser realizada hoje pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao Oriente Médio.

EFE |

Bush deve partir hoje de Washington às 17h30 local (18h30 de Brasília) para uma viagem de cinco dias que o levará a Israel, Arábia Saudita e Egito e que, embora tenha como objetivo dar um impulso ao processo de paz para o Oriente Médio, despertou poucas expectativas de avanços.

"Não esperamos que seja anunciado nenhum avanço significativo durante a viagem", admitiu hoje a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

O presidente americano, que chega a Israel para comemorar o 60º aniversário da criação desse Estado, encontrará Olmert imerso em um escândalo de corrupção que ameaça seu cargo e gera planos em torno de novas eleições no país mediterrâneo.

Em entrevistas à imprensa israelense, Bush, que tem a intenção de conseguir um acordo de paz no Oriente Médio antes de concluir seu mandato, em janeiro de 2009, descreveu Olmert como um "homem honesto" que acredita na possibilidade de paz com os palestinos.

Seu correspondente no lado palestino, o presidente Mahmoud Abbas, também se vê muito debilitado desde que o grupo radical Hamas obteve o controle da Faixa de Gaza, no ano passado.

O poder de persuasão de Bush é também, nesse momento, muito limitado, tendo em vista que as partes já pensam em quem será seu sucessor a partir de janeiro do próximo ano.

Desde que Bush viajou para a região, há quatro meses, praticamente não foram registrados avanços nas conversas de paz, e são mantidos os desacordos em torno dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados, o futuro de Jerusalém ou os ataques com morteiro contra Israel a partir de Gaza.

O presidente, que em abril se declarava otimista sobre a possibilidade de um acordo este ano, moderou suas declarações e afirma agora que sua meta é "a definição de um Estado palestino".

Sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, que o acompanhará à região, afirmou em declarações à rede "CBS" que acredita que não há nada impossível de verdade. "Pode ser improvável, mas não impossível".

Diante da falta de progressos, a Casa Branca renunciou à possibilidade de uma reunião conjunta com israelenses e palestinos e manterá apenas contatos bilaterais.

"Nestes momentos, achamos que as negociações bilaterais são chave. Podemos encorajar essas negociações para irem adiante, mas isso se faz, francamente, melhor em particular do que em público", explicou o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley.

A segunda etapa da viagem de Bush o levará à Arábia Saudita, onde chegará para comemorar o 75º aniversário das relações diplomáticas entre ambos os países, e deverá pressionar o rei Abdullah para que Riad dê mais apóio ao Governo iraquiano.

O líder americano também tentará persuadir o monarca para que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumente sua produção de petróleo diante da alta dos preços do combustível, o que já foi tentando em viagem anterior à região, mas sem sucesso.

Bush terminará sua viagem em Sharm el-Sheikh (Egito), onde se reunirá com o presidente do país, Hosni Mubarak, Abbas e o rei Abdullah II da Jordânia, além de participar de uma sessão do Fórum Econômico Mundial.

Além disso, Bush se reunirá com representantes do Governo iraquiano e com o presidente afegão, Hamid Karzai.

O presidente americano também deve se reunir nessa localidade do litoral do Sinai com o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, cujo Governo pró-ocidental se encontra imerso em uma luta de poder com o grupo xiita pró-iraniano Hisbolá.

Em comunicado emitido na noite passada, Bush advertiu o Irã e a Síria de que não permitirá que o Líbano caia sob controle estrangeiro.

"A comunidade internacional não permitirá que os regimes iraniano e sírio, por meio de seus acólitos, conduzam o Líbano a uma dominação estrangeira", ressaltou Bush.

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