HOUSTON - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai vistoriar nesta terça-feira áreas do Texas afetadas pelo furacão Ike, enquanto as instalações energéticas de Houston e outras regiões tentam se recuperar da devastação.

Milhões de pessoas continuam sem energia no Estado, e a cidade de Galveston, que fica numa ilha, foi declarada inabitável. Há relatos de 27 mortes nos EUA por causa do Ike, que chegou à costa no último sábado e avançou para o interior.

A Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (Fema) prometeu distribuir 7,5 milhões de refeições, 19,8 milhões de litros de água e 8,7 milhões de quilos de gelo nos próximos dias.

Pela sua força, o Ike causou poucos estragos nas refinarias da costa sul dos EUA. As empresas se preparam para retomar as atividades em 14 instalações do Texas e da Louisiana que tiveram de parar por causa do furacão, segundo o Departamento de Energia.


Lixo se acumula em Galveston, causando mau-cheiro e atraindo mosquistos / Reuters

Bush ainda tenta recuperar sua imagem da péssima impressão deixada pelos trabalhos de resgate depois do furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005 e matou cerca de 1.800 pessoas nos EUA.

"Pretendo descer", disse Bush, que fez carreira no Texas, sobre a visita. "Queremos ouvir relatos do pessoal local, sabe? Minha mensagem será de que ouvimos vocês e vamos trabalhar o mais rápido e duro que pudermos para lhes ajudar a normalizar suas vidas".

A ajuda está chegando às vítimas, mas em algumas áreas mais afetadas, como Galveston, ela é pouco visível.

"A Fema não apareceu, ninguém", disse a aposentada deficiente Vivian Matthews, que passou dois dias ilhada num apartamento inundado. "Eles não estão nem aí se vivemos ou morremos".

As autoridades ordenaram que os cerca de 15 a 20 mil moradores que restavam em Galveston deixassem a cidade, onde há escassez de água e comida, falta de energia e risco de epidemias.


Furacão Ike deixa destruição e prejuízo no Texas / Reuters

"Não conseguimos acomodar as pessoas que estão ficando doentes", disse Steven LeBlanc, chefe da defesa civil local. "Há potencial para uma crise sanitária", alertou. "A moral da história é: Galveston não consegue acomodar sua população de forma segura".

Há registro de quatro mortes na cidade, onde ocorreu a pior tragédia climática na história dos EUA --um furacão que matou mais de 8.000 pessoas em 1900.

As autoridades disseram também que uma pessoa morreu em Pasadena, um subúrbio de Houston.

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