Bush vai a sua última cúpula do G8 com poucas propostas e sem perspectivas

Macarena Vidal Washington, 6 jul (EFE).- George W.

EFE |

Bush comparece amanhã àquela que será sua última cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia) como presidente dos Estados Unidos com poucas propostas e mínimas perspectivas de se chegar a um acordo para limitar emissões de gases que provocam o efeito estufa.

No encontro de três dias em Hokkaido (norte do Japão), a partir desta segunda, talvez a agenda mais importante de Bush corresponda a reuniões bilaterais, centradas na discussão do programa nuclear da Coréia do Norte.

O presidente americano aproveitará o encontro do G8 para se reunir com representantes de China, Coréia do Sul e Japão, e, com isso, traçar estratégias e determinar os passos a serem seguidos depois de a Coréia do Norte ter entregado, na semana passada, um relatório sobre atividades e instalações atômicas próprias.

Pequim, Seul e Tóquio fazem parte, junto com Washington, Moscou e Pyongyang, de um grupo de negociações multilateral que tem como objetivo persuadir o regime de Kim Jong-il a se desfazer de seu programa nuclear em troca de incentivos econômicos e diplomáticos.

A Casa Branca nega que a cúpula de Hokkaido será de transição.

Mas o certo é que a agenda do presidente Bush, cujo mandato termina em seis meses, está longe de ser ambiciosa.

Em lugar de iniciativas grandiosas, o líder americano quer debater, por exemplo, a "responsabilidade" dos Estados-membros do G8 no cumprimento de compromissos adquiridos em reuniões anteriores.

Segundo o programa fixado pelo Japão, país anfitrião, a mudança climática será a grande protagonista da cúpula de Hokkaido.

Mas não parece provável que, como se esperava inicialmente, os países do G8 cheguem a um acordo para limitar no longo prazo as emissões de gases de efeito estufa - em até 50% para 2050 -, como defendem França e Alemanha.

Os EUA insistem em afirmar que qualquer acordo vinculativo deve incluir grandes economias emergentes como China e Índia, por exemplo.

Em declarações à imprensa esta semana, o assessor para Assuntos Econômicos Internacionais da Casa Branca, Dan Price, garantiu que o G8 não pode impor por si só metas efetivas no longo prazo para reduzir gases poluentes, pois as economias emergentes respondem por uma porcentagem cada vez maior nas emissões.

"Todas as grandes economias mundiais, e, de fato, todos os signatários da Convenção da ONU sobre Mudança Climática devem fazer parte do debate para estabelecer metas no longo prazo", explicou Price.

Analistas se mostram de acordo em que, embora tenham ocorrido avanços nos últimos tempos, os EUA se encontram ainda muito distantes das posições européias no assunto.

As partes envolvidas na discussão devem coincidir em Hokkaido em esperar a definição do próximo presidente dos EUA, seja o republicano John McCain ou o democrata Barack Obama, para se chegar a um grande consenso.

McCain e Obama são tidos como mais flexíveis que Bush no que diz respeito ao meio ambiente.

"Para que brigar com Bush quando basta esperar poucos meses e tratar com um novo Governo, que já deixou claro que está disposto a avançar no assunto do aquecimento global", indagou Charles Kupchan, do grupo de estudo americano Conselho de Relações Exteriores.

Assuntos como o programa nuclear iraniano - que já dominou a agenda de Bush em viagem à Europa há apenas três semanas -, a crise gerada pelas altas dos preços dos alimentos e da energia e o livre-comércio farão parte também de forma destacada dos diálogos do atual presidente americano em Hokkaido.

Já segundo Michael Green, do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS), será uma cúpula do G8 "na qual muitos dos líderes presentes estão bastante debilitados".

"Não acho que será uma cúpula que estabeleça uma agenda ambiciosa e cheia de novidades. É uma que será cautelosa e se centrará em evitar o crescente descontentamento mundial", avaliou, por sua vez, Kupchan. EFE mv/fr

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