Bush tem dia de vitórias e derrotas na cúpula da Otan

Macarena Vidal Bucareste, 3 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, obteve hoje apenas parte seus objetivos na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na qual os aliados apoiaram o envio de mais tropas ao Afeganistão e o escudo antimísseis no Leste Europeu, mas não sua proposta para que Ucrânia e Geórgia iniciassem seu caminho em direção à Aliança.

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Bush sofreu hoje uma séria derrota depois que os membros da Otan - que não ofereceram a entrada à Macedônia devido a uma disputa sobre seu nome com a Grécia - preferiram adiar as conversas para a solicitação de um Plano de Ação que facilitasse a entrada de Tbilisi e Kiev na Otan.

Em seu lugar, os países-membros ofereceram o reforço de sua cooperação, e pediram às duas ex-repúblicas soviéticas que continuem com suas reformas políticas e militares para preparar sua entrada no futuro.

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, disse hoje que Bush voltará a abordar o caso dos dois países antes do fim de seu mandato, em janeiro de 2009.

Os ministros de Exteriores da Otan devem se reunir em dezembro para fazer "uma primeira avaliação" do caso, explicou Hadley.

Em uma sessão conjunta do Conselho Atlântico, o presidente americano disse que o processo de ampliação continuará, e afirmou que as portas da Aliança "devem ficar abertas a todos aqueles que mostrarem sua disposição a promover as reformas necessárias".

Bush se mostrou decepcionado com o fato de os aliados não terem chegado a um consenso sobre a Macedônia, e pediu que a disputa sobre o nome da ex-república iugoslava seja resolvida "rapidamente, para que sua entrada possa se dar o mais rápido possível".

"A Otan espera com ansiedade o momento em que este país possa ocupar seu lugar corresponde na Aliança", acrescentou.

Mas se Bush sofreu uma derrota na ampliação da Aliança, obteve uma vitória ao conseguir o apoio da Otan ao escudo antimísseis que os americanos pretendem instalar no Leste Europeu.

Segundo altos funcionários americanos, os aliados reconhecerão hoje em seu comunicado a "proteção substancial" que o escudo dará à Europa frente a possíveis ataques do Oriente Médio, pedirão à Rússia, que o considera uma ameaça, que aceite as ofertas de cooperação.

Os especialistas militares da Otan analisarão vias para vincular o escudo americano aos sistemas defensivos antimísseis atuais e futuros da Aliança, e apresentarão suas recomendações na cúpula do próximo ano, afirmaram os altos funcionários.

Os Estados Unidos planejam posicionar dez plataformas de lançamento de mísseis interceptores na Polônia e um radar na República Tcheca.

O ministro de Assuntos Exteriores tcheco, Karel Schwartzenberg, anunciou hoje que as negociações para posicionar o radar foram concluídas com sucesso, e que o acordo será assinado no início de maio.

Bush deve se reunir no domingo em Sochi (Rússia) com o presidente russo em fim de mandato, Vladimir Putin, para dizer a ele que o escudo antimísseis não tem como alvo o país, mas visa impedir possíveis ataques de países inimigos no Oriente Médio.

O presidente americano também obteve sucesso em outro de seus objetivos, o compromisso dos aliados de enviar mais tropas ao Afeganistão para reforçar a missão da Otan no país centro-asiático, que atualmente conta com 47 mil soldados.

A França prometeu o envio de um novo batalhão, que ficará desdobrado no leste do país asiático.

Isso permitirá aos EUA liberarem soldados dessa área para deslocá-los para o sul, onde o contingente canadense ameaçava se retirar caso não fosse reforçado em pelo menos mil homens para enfrentar o movimento talibã, que se fortaleceu na região.

Os aliados realizam esta tarde uma reunião dedicada ao Afeganistão, na qual estarão presentes o presidente do país, Hamid Karzai, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

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