Bush se despede da Coréia do Sul com advertência a Pyongyang

Fernando A. Busca Seul, 6 ago (EFE).

EFE |

- O presidente dos Estados Unidos, George W.

Bush, se despediu hoje da Coréia do Sul, após advertir o regime norte-coreano de que deve permitir a verificação de seu programa de desnuclearização, caso queira ser retirado da lista de países terroristas e do chamado "eixo do mal".

Na entrevista coletiva conjunta concedida ao lado do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, Bush pediu ao presidente norte-coreano, Kim Jong-il, para que permita a "verificação completa" do programa de urânio, além de avanços no programa de plutônio, para que seu regime "deixe de ser o mais sancionado do mundo".

A pressão sobre a Coréia do Norte foi o ato com maior carga política da curta visita de Bush a Seul, que começou ontem, em meio a manifestações populares, e terminou hoje, menos de 24 horas depois, com um discurso de apoio às tropas americanas da base de Yongsan, próxima à capital sul-coreana.

O presidente americano confessou não saber se a Coréia do Norte abandonará as armas de destruição em massa, mas disse que tem certeza de que o diálogo de seis lados (entre as duas Coréias, Rússia, China, Japão e EUA) é a melhor maneira de alcançá-lo.

O regime comunista deverá permitir, até 11 de agosto, a verificação das informações que entregou até agora, caso deseje ser retirado da lista de países que apóiam o terrorismo.

Bush afirmou que, segundo a nova estratégia, Pyongyang deve tomar medidas para provar que está no caminho da desnuclearização, em contraste com o método antigo, no qual eram feitas concessões ao regime totalitário, à espera de que este respondesse de maneira positiva.

Bush também se referiu ao Tratado de Livre-Comércio (TLC) assinado com Seul, ainda pendente de ratificação pelos Parlamentos nacionais, e disse estar "preocupado" com as reservas de parte do Congresso americano.

Lee agradeceu a Bush por seu apoio para conseguir a ratificação do TLC, assim como por seu envolvimento nas negociações para a desnuclearização da Coréia do Norte.

O presidente também se referiu à China, o último destino de sua viagem asiática, e afirmou que estará presente na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, por respeito ao país e a suas tradições.

No entanto, em resposta a uma pergunta sobre o estado dos direitos humanos no país, Bush afirmou que o povo tem que "poder dizer o que pensa".

Bush agradeceu a Lee pelo envio de 150 soldados sul-coreanos ao Líbano como parte da missão das Nações Unidas, e assegurou ter pedido ao presidente da Coréia do Sul o envio forças para ajudar a "jovem democracia" do Afeganistão.

Além disso, o presidente dos Estados Unidos se referiu a sua conversa com Lee sobre mudança climática, e constatou a necessidade de "objetivos de longo e médio prazo", para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Durante seu almoço de trabalho, Lee e Bush degustaram carne bovina americana, em um gesto dirigido à opinião pública sul-coreana, muito agitada nos últimos meses por sua oposição frontal à importação de carne americana, por medo de que esteja infectada pelo mal da vaca louca.

Ontem mesmo, milhares de sul-coreanos se manifestaram desde o anoitecer contra Bush e contra as importações, em protestos que foram dissolvidos pela Polícia, que desdobrou 23 mil agentes nas ruas de Seul e deteve 160 manifestantes.

Em um ambiente muito mais cordial, Bush encerrou sua última visita oficial à Coréia do Sul vestindo um jaqueta militar, e aclamado pelas tropas americanas da base de Yongsan.

Perante as tropas, Bush se mostrou convencido de que medidas como a derrubada de Saddam Hussein foram "corretas em suas respectivas épocas, e continuam sendo corretas hoje". EFE fab/gs

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