Bush rompe silêncio sobre suposta aliança Síria-Coréia do Norte

Por Matt Spetalnick WASHINGTON - O presidente dos EUA, George W. Bush, disse na terça-feira ter mandado divulgar informações dos serviços de inteligência do país a respeito de uma suposta aliança nuclear entre a Coréia do Norte e a Síria com vistas a aumentar a pressão sobre os norte-coreanos e para enviar uma mensagem ao Irã.

Reuters |

Bush rompeu com meses de silêncio a respeito da questão após seu governo ter vindo a público, na semana passada, acusar a Síria de construir um reator nuclear secreto valendo-se da ajuda da Coréia do Norte. Essa instalação teria sido bombardeada por caças israelenses em setembro passado.

Segundo o presidente, a divulgação das informações, que incluem fotos e outros dados que a CIA diz comprovarem a capacidade do local de desenvolver armas nucleares, foi feita para 'fazer avançar certos objetivos políticos.'

'Um deles seria dirigido aos norte-coreanos, para deixar totalmente claro que talvez saibamos mais sobre vocês do que vocês pensam', disse Bush em uma entrevista coletiva.

A Síria negou estar construindo um reator nuclear e acusou o governo norte-americano de envolvimento no ataque realizado por Israel, um aliado fiel dos EUA e o único país do Oriente Médio a supostamente dispor de um arsenal nuclear.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) criticou os EUA pelo fato de o país ter aguardado até este mês para divulgar suas informações.

Segundo analistas de fora da agência e um diplomata familiarizado com ela, as informações divulgadas pelos norte-americanos não comprovavam a existência de um programa de armas ilícito.

Por meio de um acordo selado com a Coréia do Norte em setembro de 2005, e do qual participaram outros cinco países, os norte-coreanos comprometeram-se com abandonar suas armas e programas nucleares em troca de ajuda econômica e benefícios diplomáticos.

O processo, no entanto, encontra-se paralisado devido à recusa do país asiático em entregar um detalhado relatório sobre seu programa. O documento deveria ter sido repassado no final do ano passado.

Bush reconheceu que a divulgação das informações secretas neste momento tinha por meta aumentar a pressão sobre os norte-coreanos e também enviar uma mensagem dura para a Síria, país que os EUA tentam isolar diplomaticamente.

'E, ainda, estamos interessados em enviar uma mensagem ao Irã e ao mundo a respeito do quão desestabilizadora a proliferação nuclear seria no Oriente Médio', afirmou o presidente.

O governo norte-americano lidera a campanha para que os iranianos desistam de seu programa nuclear, uma suposta fachada para o desenvolvimento de armas atômicas. O Irã nega essas acusações e diz que seu programa é pacífico.

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