Bush rompe seu silêncio sobre crise e diz que trabalha duro para resolvê-la

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 18 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, rompeu hoje seu silêncio com relação à crise financeira para afirmar que compartilha a preocupação dos cidadãos e para deixar claro que seu Governo está trabalhando duro para solucioná-la.

Bush se limitou a ler uma declaração pública, sem oportunidade de perguntas, nos jardins da Casa Branca, no que representa sua primeira referência à crise após o breve comentário feito na última segunda.

Desde então, os mercados desabaram, o Governo se viu obrigado a nacionalizar a seguradora American International Group (AIG) e o Federal Reserve (Fed, banco central americano), em uma ação coordenada com outros bancos centrais, injetou US$ 180 bilhões nos mercados financeiros.

Parte da imprensa americana criticou o fato de Bush ter encontrado tempo nestes dias para jantar com o presidente de Gana, para sobrevoar a região do Texas atingida pelo furacão "Ike", para posar com os finalistas ao prêmio "Jovens do Ano" e para se reunir com o general David Petraeus, mas não para dar apoio aos cidadãos de seu país diante da grave crise financeira.

Hoje ele reconheceu que "os americanos estão preocupados pela situação" dos mercados financeiros e da economia nacional.

"Eu compartilho suas preocupações", declarou.

A crise financeira, considerada a mais grave dos últimos tempos, sacudiu os mercados de todo o mundo e deu uma reviravolta na campanha eleitoral americana, na qual o candidato democrata Barack Obama volta a aparecer como favorito.

Instantes antes de mencionar a crise, Bush explicou que tinha cancelado as viagens que tinha previsto para Flórida e Alabama para se conscientizar sobre a situação e se reunir com seus assessores econômicos e com o Secretário do Tesouro, Henry Paulson.

O presidente americano afirmou que seu Governo está tomando "medidas agressivas e extraordinárias" para acalmar os mercados e "melhorar a confiança dos investidores".

Assim, citou a decisão do Governo de assumir o controle dos gigantes do setor hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac, a nacionalização da AIG e as medidas aprovadas pela Comissão de Valores americanos para proteger os investidores das manipulações ilegais dos mercados.

"Ontem à noite o Fed, em coordenação com bancos centrais ao redor do mundo, tomou um passo importante para aumentar a liquidez no sistema financeiro americano", declarou.

"Estas medidas são necessárias e são importantes. Além disso, os mercados estão fazendo os ajustes correspondentes", afirmou.

No entanto, ele alertou que "os mercados financeiros continuam enfrentando sérios desafios", embora tenha deixado claro que seu Governo "está concentrado em enfrentá-los".

"O povo americano pode ter certeza de que continuaremos dando passos para reforçar e estabilizar nossos mercados financeiros e aumentar a confiança dos investidores", declarou.

Hoje, em um comício em Iowa, o candidato à Presidência do Partido Republicano, John McCain, também comentou a crise e, em termos muito duros, atacou as práticas financeiras adotadas na atualidade.

"Necessitamos de reformas em Washington e em Wall Street. Os mercados financeiros estão em crise", declarou. Além disso, ele disse que a culpada pela situação é a "corrupção e a manipulação no sistema de empréstimos hipotecários".

Ao longo da campanha, o candidato democrata, Barack Obama, acusou McCain de querer continuar com a política econômica que foi adotada por George W. Bush e que levou o país à crise.

Entretanto, hoje o republicano adotou um tom reformista, atacou a falta de "transparência" de Wall Street e a pouca eficiência da Comissão de Valores (SEC, na sigla em inglês) americana, que permitiu o estabelecimento de regras pouco claras.

"Caso eu fosse o presidente dos EUA hoje, demitiria imediatamente o presidente da SEC", afirmou McCain em referência a Christopher Cox. EFE pgp/fal

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